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Grupo Impala despede 48 trabalhadores e substitui-os por precários com salários baixos

Os trabalhadores despedidos, maioritariamente jornalistas ou funcionários da redação, foram mandados embora sem pagamento de compensação a que têm direito, e de imediato substituídos por precários de uma outra empresa do mesmo grupo. A notícia é do site Despedimentos.pt.
O Grupo Impala tem agora o nome de Descobrirpress.
O Grupo Impala tem agora o nome de Descobrirpress. Fotografia do portal despedimentos.pt.

A administração do grupo Impala avançou no final do passado mês de maio para o despedimento coletivo de 48 trabalhadores. Estes despedimentos, formalizados em agosto, estão a acontecer na Descobrirpress (nova designação da Impala Editores, desde outubro de 2011), a empresa que deu origem ao grupo e desde sempre a sua principal componente. Os trabalhadores abrangidos por este processo de despedimento coletivo vão avançar para ação judicial para impugnar o despedimento.

A gerência do grupo que detém, entre outras, as revistas Nova Gente, Maria, TV7Dias ou VIP, justificou a decisão com os efeitos da crise sanitária. No entanto, as denúncias recebidas pelo portal Despedimentos.pt (a notícia está disponível aqui) descrevem um processo intencional e no quadro de uma gestão danosa, que não resulta efetivamente da quebra de resultados. 

Segundo os relatos, o trabalho que era realizado por estes funcionários com direitos e há muito anos na empresa, a larga maioria dos quais jornalistas ou profissionais com funções técnicas na redação, passou a ser assegurado por trabalhadores com salários mais baixos e piores condições laborais, pertencentes a uma outra empresa do grupo. 

A administração pretende agora concretizar estes despedimentos sem respeitar os direitos dos trabalhadores, nomeadamente quanto ao pagamento dos créditos laborais e das compensações previstas na lei.

As denúncias referem que a gestão danosa da administração conduziu artificialmente a empresa a uma situação financeira frágil, que resultou em despedimentos anteriores e na implementação de processos especiais de revitalização (PER). Isso mesmo foi afirmado pelos representantes dos trabalhadores nas reuniões de negociação no âmbito do processo de despedimento coletivo, em que, conforme previsto na legislação, participam também representantes da empresa e da Direção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). 

“É com base nesta condição que resulta da sua suposta situação de fragilidade, nomeadamente nas vantagens conferidas às empresas abrangidas por PER, que os donos do grupo Impala anunciam que não pretendem cumprir as suas obrigações perante os trabalhadores no momento do despedimento”, denuncia o portal.

A administração terá confirmado em reunião com os trabalhadores que o pagamento da compensação pelo despedimentos será remetido para negociação no âmbito do PER. O mesmo deverá, dizem, aplicar-se aos créditos laborais, ou seja, “não pretende sequer regularizar os proporcionais dos subsídios de férias e Natal, bem como outras componentes salariais em falta”.

Em termos práticos, isto adiará vários anos o pagamento dos montantes devidos aos trabalhadores, com início incerto e diluído em muitas prestações. As denúncias asseguram que esta decisão faz parte de uma estratégia programada pelos donos da Impala, com graves consequências para as vidas de dezenas de trabalhadores e trabalhadoras. 

Parte do trabalho destes trabalhadores despedidos está agora a ser realizado pelos trabalhadores da Worldimpala.net, uma outra empresa do grupo, numa situação que o portal denuncia como configurando falso outsourcing

Na realidade, dizem, corresponde a “uma substituição por trabalhadores com salários mais baixos e com a existência de vínculos precários, evidenciando, segundo as denúncias, que o trabalho continua a ser necessário e não há fundamento para o despedimento coletivo”. 

A formação destes novos trabalhadores terá ainda tido lugar nos últimos meses e foi da responsabilidade de profissionais da Descobrirpress. 

O Bloco de Esquerda já remeteu pergunta ao Governo sobre esta situação, questionando o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social sobre como pretende atuar para averiguar os contornos deste despedimento coletivo e defender os direitos destes trabalhadores.

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