Pela primeira vez desde que fábrica foi instalada, em 1999, os cerca de 700 trabalhadores da Hutchinson Borrachas de Portugal, em Campo Maior, fizeram uma greve de 24 horas, entre as 22 horas de quarta-feira e as 22 horas de quinta-feira.
Esta contou com uma adesão de 80% e, de acordo com o SITE Sul, “a fábrica ficou praticamente parada em todas as áreas da produção”.
À Rádio Elvas Eduardo Florindo, coordenador deste sindicato, explicou que este nível de adesão “revela bem o descontentamento destes trabalhadores”, esperando “que a direção leia estes resultados da greve, porque desde há 24 anos que a empresa está aqui e nunca tinha acontecido nada do género, o que reflete a saturação dos trabalhadores das promessas e de não verem os seus salários aumentados”.
Os trabalhadores tinham aprovado num plenário a 24 de outubro um Caderno Reivindicativo para 2024. Mais tarde, a 19 de janeiro, foi dada uma semana para que a administração da fábrica abrisse negociações e assim se evitasse o recurso à greve. Perante a intransigência, a greve avançou mesmo.
Os trabalhadores tinham definido cinco pontos prioritários para negociar com a direção: aumento dos salários; aumento do subsídio de refeição; criação de diuturnidades; pagamento do trabalho ao sábado e em dia feriado como trabalho suplementar; e atribuição do dia de aniversário.
Do caderno reivindicativo constavam ainda questões como um salário mínimo de entrada na fábrica de 900 euros, a criação de um subsídio de transporte, a redução do horário de trabalho e a integração de “todos os trabalhadores contratados a prazo e a trabalho temporário que ocupam postos de trabalho permanente”.
Trabalhadores ameaçados com deslocalização da fábrica se fizessem greve
Também à Rádio Elvas, Maria Demétrio, uma trabalhadora da Hutchinson, revela que a empresa ameaçou fechar a unidade de Campo Maior e mudar-se para Marrocos se os trabalhadores fizessem greve.
A resposta dos trabalhadores à ameaça ficou patente na paralisação e Maria Demétrio afirma “não temos medo disso, sabemos que ninguém do grupo recebe menos que nós”.
De resto, insiste que os trabalhadores são “muito mal pagos” e que, quer o aumento salarial de cem euros, quer o pagamento das diuturnidades podem ser acomodados pela empresa. Até “porque se podem gastar um milhão de euros com robots, podem gastar esse valor connosco, porque os robots não trabalham sozinhos, alguém tem que os ligar”.
Esta trabalhadora prevê “que existam mais greves” já que “a administração não fala nem com o sindicato nem com a comissão de trabalhadores” e por isso o acordo não está à vista.