A Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos emitiu esta segunda-feira um comunicado no qual critica a Comissão Executiva do banco público por querer “passar uma imagem de privilégio e paz social” que os trabalhadores “sabem que não existe” enquanto que “o seu empenhamento não é reconhecido, bem pelo contrário, dado o acréscimo de trabalho e consequente carga horária não retribuída que lhes têm vindo a ser impostas nestes últimos anos”.
De acordo com esta organização representativa dos trabalhadores, ao mesmo tempo que há um “caminho de cortes e reduções”, agora “já sem qualquer imposição” do Banco Central Europeu, ao contrário do Plano de Reestruturação entre 2017 e 2020, na primeira metade deste novo ciclo a CGD alcançou lucros de 1.426 milhões de euros, em comparação com os 583 milhões de euros em 2021 e os 843 milhões de euros em 2022.
O comunicado informa ainda que, entre 2016 e 2022, os custos com os órgãos de gestão aumentaram 186,2%, enquanto os custos com pessoal desceram 24,5%. Ao abrigo do Plano Estratégico 2021/2024, diz-se os custos com pessoal diminuíram 0,7% e os custos com os órgãos de gestão cresceram 70,2%. Isto, recorda a CT, num tempo em que os trabalhadores “viram agravadas as suas dificuldades fruto de uma subida da inflação e do aumento do custo de vida”. E em que “os prémios alcançados pelos trabalhadores e que lhe eram devidos não foram pagos na sua totalidade porque ‘o valor excedia o montante orçamentado’”.
Os trabalhadores trazem outros números como a diminuição de 28% do número de trabalhadores e de 27,3% do número e de agências. Notam ainda que “existe uma brutal diminuição de trabalhadores com funções auxiliares e administrativas contrastando com um aumento de trabalhadores nas funções de direção”.
Este é um caminho “demasiadamente preocupante” que “cada vez mais ignora a missão de banco público, de apoio e proximidade a toda a população portuguesa”. Sinal disso é que a captação de depósitos perdeu 4,2% e a concessão de crédito da CGD 4,0% da quota de mercado em seis anos. Os trabalhadores culpam “uma menor presença territorial e menor capacidade de resposta fruto do emagrecimento cego da estrutura em geral, muito em particular na rede comercial”. E concluem que “é alarmante que os responsáveis e a tutela ignorem o estado de emergência a que chegámos”.