EUA

Trabalhadores da Boeing Defense decidem continuar greve que começou em agosto

28 de outubro 2025 - 13:52

Os trabalhadores apresentaram uma proposta que custaria aproximadamente 50 milhões de dólares ao longo de quatro anos. Isto é metade do custo de um único caça F-15 e do que a Boeing pagou aos seus dois últimos CEO “em paraquedas dourados”, lembra o sindicato.

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Trabalhadores do IAM da Boeing em greve.
Trabalhadores do IAM da Boeing em greve. Foto do sindicato.

Perto de 3.200 trabalhadores das fábricas da Boeing do setor da defesa dos EUA estão em greve desde 04 de agosto passado. Este domingo, votaram pela quarta vez a rejeição de uma proposta de acordo com a administração da empresa.

A luta desenvolve-se nas fábricas de St. Louis e St. Charles, no estado do Missouri, e Mascoutah, no estado do Illinois, que produzem os caças F-15 e F-18, o sistema de treino de pilotos T-7 Red Hawk e o drone MQ-25.

Os representantes do distrito 837 da Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais saudaram o resultado, considerando que, com ele, os trabalhadores “enviaram uma mensagem clara de que a empresa não atendeu às principais prioridades dos trabalhadores”.

Em comunicado de imprensa, Brian Bryant, presidente deste sindicato, considera mesmo que a proposta em análise era um “insulto” aos trabalhadores. O dirigente sindical acrescenta que a empresa tem de deixar de poupar “com os trabalhadores que tornam o seu sucesso possível e negociar um acordo justo que respeite as suas capacidades e sacrifícios.”

Da proposta em causa, para valer nos próximos cinco anos, constava uma redução do bónus de ratificação. A exigência sindical era que este fosse próximo dos 12 mil dólares que foram atribuídos aos trabalhadores da divisão de aviões comerciais da empresa no noroeste do Pacífico. A Boeing argumentou, por seu lado, que o custo de vida no Centro-Oeste é diferente e, para compensar esta redução, propunha-se dar 3.000 dólares em ações da Boeing com vencimento a três anos e um bónus de retenção de 1.000 dólares a quatro anos. Havia ainda um aumento para trabalhadores no topo da escala salarial no quarto ano do contrato.

O sindicato tinha começado por propor um aumento salarial de 20% ao longo dos cinco anos do novo contrato coletivo de trabalho de forma a “acompanhar a inflação e recompensar de forma justa os membros mais experientes e qualificados”. E ainda uma contribuição maior da empresa para o plano de reforma dos trabalhadores para que haja “segurança real na reforma depois de a Boeing ter retirado as pensões há uma década”.

A Boeing recusara estes aumentos e apresentou como contra-proposta remover uma cláusula que reduzia a possibilidade dos trabalhadores receberem horas extraordinárias mas os trabalhadores consideram-na insuficiente.

O sindicato retorque que a sua proposta aumentaria os custos em “aproximadamente 50 milhões de dólares ao longo de quatro anos – cerca de metade do custo de um único caça F-15 produzido pelos membros do Sindicato IAM – mas a Boeing continua a rejeitá-la enquanto vê os seus programas de defesa atrasarem-se”. Ao mesmo tempo, lembrou que “a Boeing pagou aos seus dois últimos CEO aproximadamente 100 milhões de dólares em paraquedas dourados”.