Perto de 3.200 trabalhadores das fábricas da Boeing do setor da defesa dos EUA estão em greve desde 04 de agosto passado. Este domingo, votaram pela quarta vez a rejeição de uma proposta de acordo com a administração da empresa.
A luta desenvolve-se nas fábricas de St. Louis e St. Charles, no estado do Missouri, e Mascoutah, no estado do Illinois, que produzem os caças F-15 e F-18, o sistema de treino de pilotos T-7 Red Hawk e o drone MQ-25.
Os representantes do distrito 837 da Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais saudaram o resultado, considerando que, com ele, os trabalhadores “enviaram uma mensagem clara de que a empresa não atendeu às principais prioridades dos trabalhadores”.
Em comunicado de imprensa, Brian Bryant, presidente deste sindicato, considera mesmo que a proposta em análise era um “insulto” aos trabalhadores. O dirigente sindical acrescenta que a empresa tem de deixar de poupar “com os trabalhadores que tornam o seu sucesso possível e negociar um acordo justo que respeite as suas capacidades e sacrifícios.”
Da proposta em causa, para valer nos próximos cinco anos, constava uma redução do bónus de ratificação. A exigência sindical era que este fosse próximo dos 12 mil dólares que foram atribuídos aos trabalhadores da divisão de aviões comerciais da empresa no noroeste do Pacífico. A Boeing argumentou, por seu lado, que o custo de vida no Centro-Oeste é diferente e, para compensar esta redução, propunha-se dar 3.000 dólares em ações da Boeing com vencimento a três anos e um bónus de retenção de 1.000 dólares a quatro anos. Havia ainda um aumento para trabalhadores no topo da escala salarial no quarto ano do contrato.
O sindicato tinha começado por propor um aumento salarial de 20% ao longo dos cinco anos do novo contrato coletivo de trabalho de forma a “acompanhar a inflação e recompensar de forma justa os membros mais experientes e qualificados”. E ainda uma contribuição maior da empresa para o plano de reforma dos trabalhadores para que haja “segurança real na reforma depois de a Boeing ter retirado as pensões há uma década”.
A Boeing recusara estes aumentos e apresentou como contra-proposta remover uma cláusula que reduzia a possibilidade dos trabalhadores receberem horas extraordinárias mas os trabalhadores consideram-na insuficiente.
O sindicato retorque que a sua proposta aumentaria os custos em “aproximadamente 50 milhões de dólares ao longo de quatro anos – cerca de metade do custo de um único caça F-15 produzido pelos membros do Sindicato IAM – mas a Boeing continua a rejeitá-la enquanto vê os seus programas de defesa atrasarem-se”. Ao mesmo tempo, lembrou que “a Boeing pagou aos seus dois últimos CEO aproximadamente 100 milhões de dólares em paraquedas dourados”.