França

Trabalhadoras da limpeza completam um mês de greve em hotel de Marselha

24 de junho 2024 - 20:38

Em vésperas do início de um “verão olímpico” em Marselha, trabalhadoras portuguesas e caboverdianas lideram a luta por melhores salários e condições numa empresa subcontratada pela cadeia hoteleira Radisson.

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Protesto das trabalhadoras da limpeza em Marselha
Protesto das trabalhadoras da limpeza em Marselha. Foto CNT-SO_13/X

Estão há um mês sem receber salário, mas a determinação continua a mesma do dia 24 de maio, quando decidiram avançar para a greve. Reclamam o pagamento de prémios sazonais de época alta, prometidos pela administração desde 2016, o aumento de salários tal como tiveram outros funcionários da mesma empresa e também o pagamento de um 13º mês, ao qual já têm direito outros funcionários do grupo Aqua. Esta empresa é contratada pelo Radisson Blu Vieux-Port, um hotel de quatro estrelas na zona do Velho Porto de Marselha, cidade que vai receber várias provas dos Jogos Olímpicos deste verão.

Ao Esquerda.net, Dirce Xavier, uma das trabalhadoras do grupo, diz que 11 das 15 grevistas são portuguesas ou caboverdianas casadas com portugueses e a maioria trabalham para a empresa há mais de sete anos, havendo quem tenha já 15 e 17 anos de casa. O Radisson Blu foi o primeiro hotel marselhês onde o grupo Aqua conseguiu colocar as suas trabalhadoras e o trabalho destas mulheres abriu as portas para que a empresa expandisse a sua atividade de limpezas a outras 83 unidades hoteleiras da região. No entanto, ficaram sempre por cumprir as promessas dos prémios salariais em época alta e alguns dos direitos atribuídos a outros trabalhadores do mesmo grupo nunca foram estendidos a estas trabalhadoras, fazendo aumentar o sentimento de injustiça. Queixam-se também do excesso da jornada laboral com horas extraordinárias nem sempre pagas, o que tende a aumentar em alturas como a destes Jogos Olímpicos.

A vontade é de prosseguir a luta, mas “não sabemos até quando”, acrescenta esta trabalhadora em greve, pois com a falta de salário, tem sido o fundo solidário de greve que lhes tem permitido continuar a paralisação, através da organização de pequenos-almoços e iniciativas solidárias, como a que este sábado teve lugar à porta do hotel. No domingo, o sindicato CNT promoveu uma sessão de cinema com o filme “Les Petites Mains”, uma comédia em torno das adversidades que enfrentam as trabalhadoras imigrantes da limpeza de hotéis no país, seguido de debate sobre a luta em curso.

“Nas portas do Hotel de 4 estrelas há 4 semanas as trabalhadoras de quartos e limpeza exigem o fim da exploração, assim como as mulheres do serviço doméstico e limpezas exigem um trabalho justo e digno para uma vida melhor”, afirmou a eurodeputada bloquista Anabela Rodrigues, prestando solidariedade com a luta destas trabalhadoras que ainda esperam uma resposta do consulado português em Marselha.

Ao jornal La Provence, o dirigente sindical Julien Huart, da CNT, afirmou que o único avanço nas negociações foi a aceitação por parte dos patrões do grupo da aplicação do 13º mês, mas de forma progressiva e ao longo de vários anos, o que faria com que só em 2026 o recebessem na totalidade. Os patrões do grupo continuam a recusar a reclassificação das trabalhadoras para fazer aumentar o salário base e o fim da cláusula de mobilidade que permite ao grupo deslocar aleatoriamente e sem aviso prévio as trabalhadoras pelas dezenas de hotéis da cidade onde está presente.

A luta destas trabalhadoras, pela sua persistência e determinação, tem chamado a atenção da opinião pública francesa e já contou com a presença da deputada da França Insubmissa Rachel Keke, que antes de eleita pela NUPES em 2022 para o Parlamento era trabalhadora da limpeza de hotéis e organizadora das lutas no setor.