As mulheres da limpeza que venceram a multinacional hoteleira

25 de maio 2021 - 14:59

Depois de 22 meses de luta, oito de greve, as duas dezenas de empregadas de quarto de hotel do Ibis Batignolles, o segundo maior hotel de França, venceram. A sua mobilização tornou-se um símbolo.

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Trabalhadoras do Ibis Batignolles em luta. Foto de @CelineMalaise/Twitter.
Trabalhadoras do Ibis Batignolles em luta. Foto de @CelineMalaise/Twitter.

O acordo entre a STN, empresa subcontratada pelo grupo hoteleiro Accor, e as 20 empregadas de quarto de hotel do Ibis Batignolles será assinado esta terça-feira. Nele ficam garantidas todas as reivindicações das trabalhadoras. Exceto uma, a sua integração no Accor.

De qualquer forma, é a multinacional que está claramente por detrás do acordo. Esta compromete-se “a fazer garantir a aplicação pelo subcontratante das disposições” que nele constam. Ainda que o contrato de prestação de serviços mude para outra empresa.

Este pormenor não impede as trabalhadoras de reivindicarem uma vitória em toda a linha. Rachel Keke, uma das porta-vozes das grevistas, regozijava-se na passada sexta-feira: “estou feliz, tudo é bom neste texto!”. E o mesmo sentimento de vitória percorre o movimento sindical francês, que a considera um símbolo.

Cerca de duas dezenas de empregadas de hotel, todas de origem africana, ousaram empreender um processo de luta durante mais de 22 meses contra um gigante. O Accor é dono da cadeia Ibis, para além de outras dezenas de redes de hotéis, já para não falar das suas agências de viagens, spas, casinos, empresas da área da restauração, entre outras. O hotel em que trabalham, o Ibis Batignolles, é o segundo maior de França, com mais de 700 quartos.

Ao Mediapart, Keke explica que, depois do início do processo em julho de 2019, foram fazendo ações, até durante o confinamento, com cânticos, tachos, tambores e confettis, em frente a vários hotéis do grupo. Com o regresso da atividade hoteleira à normalidade, “o Accor não quis arriscar que estragássemos a sua imagem e que perturbássemos a sua retoma de atividade.”

Obtiveram assim melhores condições de trabalho, nomeadamente uma redução da cadência de trabalho exigida na limpeza de quartos (antes eram obrigadas limpar entre três e cinco quartos por hora, dependendo do tamanho, agora passam a ser entre dois a três), um aumento de entre 250 a 500 euros por mês, a duplicação do subsídio de refeição, a garantia de pelo menos cinco horas de trabalho por dia e de que não farão horas suplementares não pagas e a reintegração de duas colegas cujo contrato tinha acabado durante a greve. Em troca, tiveram apenas de abandonar a queixa apresentadas contra as duas empresas.