Num relatório divulgado esta quarta-feira, a associação ambientalista Greenpeace acusa o grupo petrolífero francês TotalEnergies de declarar quatro vezes menos emissões de gases com efeito de estufa do que as que realmente emite. A empresa terá declarado, no ano de 2019, emitir 455 milhões de toneladas de equivalência em dióxido de carbono, a medida internacional aceite e que traduz os gases com efeito de estufa em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono, quando na realidade emitiu 1,637 mil milhões de toneladas.
A ideia de uma subavaliação é também reforçada através da comparação com a companhia britânica Shell. A produção de gás e de petróleo e as vendas de ambas são semelhantes mas a empresa francesa declara 3,6 vezes menos emissões. Na France Info, esta quinta-feira, Jean-François Julliard, da secção francesa da organização ambientalista, explicou que “a estimativa à qual chegámos está próxima da de um grupo como a Shell. Mas a Shell declara, de forma bem mais precisa e detalhada, o conjunto das suas atividades”.
A TotalEnergies recusa as contas e emitiu um communicado em que promete uma “ação judicial com vista a reparar os prejuízos que acarreta a difusão desta informação enganadora”. A complexa forma de cálculo das emissões vai assim a julgamento com a empresa a contestar unicamente as emissões diretas da sua atividade, alegando que estas foram de 55 milhões de toneladas de CO2 e não de 160 como diz a Greenpeace. Os números dos ambientalistas seriam assim “fantasistas e mentirosos”.
Note-se que a esmagadora maioria das emissões de gases com efeito de estufa deste tipo de atividade não é feita de forma direta mas de forma indireta, ou seja integrando, por exemplo, o combustível consumido pelos automobilistas. A Greenpeace estima que este parâmetro tenha representado, em 2019, 90% do total da pegada de carbono da empresa, no valor total de 1,4 mil milhões de equivalência a CO2.
Para além disso, Jean-François Julliard responde à Total que a Greenpeace apenas usou dados públicos transmitidos pela empresa e “o mesmo método que eles” e que os números apresentados “são uma estimativa porque não temos todos os números, infelizmente a Total falha na transparência”. Agora, os ambientalistas pedem ao Estado que “verifique os anúncios das grandes empresas sobre o seu balanço de carbono e a sua trajetória.