"Tenho medo, muito medo que estejamos a assistir em França a uma espécie de Itália parte II, mas com algum `delay´ [atraso] em que a força de Macron [Presidente francês] pode estar a abrir um tapete vermelhíssimo à senhora Le Pen [líder do partido de extrema-direita francês Frente Nacional] e outros que tais", afirmou a eurodeputada bloquista, citada pela agência Lusa.
As declarações de Marisa Matias surgiram na sequência da apresentação da carta aberta do presidente francês durante a conferência "A Europa e o Presente", organizada pelo jornal Público, no Porto, e cuja abertura esteve a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa.
De acordo com a dirigente do Bloco, esta carta, na qual Macron assume o combate aos radicalismos nacionalistas na Europa como um dos seus principais objetivos, é mais "para dentro do que para fora", ou seja, é mais "conjuntural do que estrutural" e é "mais um sinal de fraqueza de Macron do que de força".
"É mais para dentro do que para fora que a Alemanha não subscreveu e, também, não vi grande vaga de fundo atrás disto, na realidade não vi uma adesão a esta carta de Macron", vincou.
Marisa Matias sinalizou é necessário debater e "a sério" as questões elencadas na carta, lamentando que a mesma não avance com verdadeiras respostas.
"Gostava de ver debatida questões da zona euro, por exemplo, se consegue a União Europeia (UE) enfrentar mais uma crise financeira ou pensar numa UE que não se fragmente a cada dia que passa se não falarmos a sério num orçamento europeu", apontou.
Discutir e debater a zona euro é "meio caminho andado" para atender às preocupações das pessoas, avançou.