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TAP: Bloco quer auditoria à gestão privada e proteção dos postos de trabalho

Isabel Pires destaca que “permanecem dúvidas que é essencial esclarecer” e defende que o plano estratégico para a empresa tem de salvaguardar a coesão territorial e a manutenção de postos de trabalho diretos e indiretos, ter objetivos ambientais e não descurar as ligações essenciais para a emigração portuguesa.
Avião da TAP. Foto de Jonathan Palombo/Flickr

O Governo chegou a acordo com o consórcio de privados da Atlantic Gateway para adquirir a parte da participação de David Neeleman por 55 milhões de euros, passando a deter 72,5% do capital da TAP.

Em reação ao anúncio do ministro Pedro Nuno Santos, Isabel Pires lembrou que Bloco tem dito ao longo dos últimos anos que a privatização “foi um tremendo erro” e que a reversão incompleta da privatização da TAP não veio acautelar o interesse público.

A deputada defendeu que sobre o processo que culminou esta quinta-feira “permanecem dúvidas que é essencial esclarecer”.

“Em primeiro lugar, em relação ao plano de reestruturação, é preciso que tenhamos uma orientação estratégica para uma companhia tão importante para o país”, assinalou, recordando que a TAP representa cerca de 2% do PIB do país e emprega perto de 10 mil trabalhadores diretos, além dos inúmeros trabalhadores indiretos que estão dependentes da atividade da empresa. A deputada destacou que é imperativo saber qual o plano estratégico do Governo e como pretende o executivo garantir a salvaguarda dos trabalhadores.

Outra das questões a esclarecer diz respeito ao modelo de gestão. Isabel Pires fez referência ao projeto do Bloco votado no Parlamento na semana passada, em que o partido defende que a gestão pública é aquela que salvaguarda o interesse público.

A deputada reforçou a necessidade de uma auditoria à gestão privada, já defendida pelo Bloco: “O país tem de saber o que se passou durante a gestão privada”, frisou.

De acordo com Isabel Pires, a solução agora anunciada “fica aquém na medida em que para já se percebe que não há uma garantia de gestão e de controlo público a 100%”. Acresce ainda que “não se conhece o plano estratégico para perceber o que está em cima da mesa”. Para o Bloco, é fundamental que esse mesmo plano garanta que a empresa se mantém como pilar para a coesão territorial, assegure os postos de trabalho diretos e indiretos, tenha objetivos ambientais e não descure as ligações essenciais para a emigração portuguesa.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação referiu que “a alternativa era a insolvência" e que perder a TAP teria "um impacto directo e profundo na economia e no emprego”.

TAP: “O futuro é incerto"

Pedro Nuno Santos deixou, no entanto, alguns recados: “O futuro é incerto". "Não queremos uma empresa sobredimensionada, porque estaríamos a desperdiçar recursos, mas queremos uma TAP que responda aos interesses dos portugueses".

O governante adiantou ainda que será uma empresa especializada a recrutar no mercado internacional gestores para a empresa: "Não há nenhuma razão para que o Estado escolha de forma diferente do que faz um privado. O que o Estado tem de fazer é adoptar procedimentos rigorosos", apontou.

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