Supermercados tiram até 50% de margem de lucro em alimentos essenciais

09 de março 2023 - 11:27

A inflação geral está a descer mas os preços dos bens alimentares essenciais continuam a subir. A ASAE definiu um cabaz de bens essenciais no qual os preços aumentaram de 74,9 euros em janeiro para 96,44 euros em fevereiro.

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Foto ABRAS/Flickr

Segundo dados da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, em 2022, as margens médias de lucro bruto dos retalhistas em bens alimentares essenciais chegaram até aos 50%.

A entidade apresentou esta quinta-feira os dados referentes aos relatórios mensais de análise da evolução dos preços deste tipo de produtos. Eles mostram, de acordo com o Público, que enquanto a inflação média está já a descer nos últimos meses, a “inflação apenas dos produtos alimentares continua a crescer a ritmo acelerado”. Por exemplo, no passado mês de fevereiro a inflação geral foi de 8,2%; ao passo que “a variação índice de preços relativo aos produtos alimentares não transformados foi de 20,11%”.

Da sua análise de um cabaz de bens essenciais, nota-se um aumento de preços de um total de 74,9 euros em janeiro para 96,44 euros em fevereiro. Por sua vez, o INE já tinha contabilizado uma subida do conjunto dos preços dos produtos alimentares de 17,6% em dezembro para 18,54%.

A ASAE indica que “dos elementos obtidos até ao momento, no retalho, registámos margens médias de lucro bruto, referentes ao ano de 2022, entre: 20% e 30% (açúcar branco, óleo alimentar, dourada); 30% e 40% (conservas de atum, azeite, couve coração); 40% e 50% (ovos, laranja, cenoura, febras de porco); e mais de 50% (cebola)”.

Na mesma ocasião, informou-se que a ASAE instaurou 51 processos-crime por “especulação objetiva” e 91 processos de contra-ordenação. E anunciou-se ainda mais uma ação de fiscalização alargada com 38 brigadas e 80 inspetores em todo o país esta quinta-feira.

O inspetor-geral, Pedro Portugal Gaspar, explicou ainda que não existe uma definição precisa de lucro excessivo, apesar de se utilizar os 15% como padrão, valor que pode ser inferior nos bens alimentares essenciais.