Esta segunda-feira, o Jornal de Notícias noticiou que bens alimentares básicos estão já a ser vendidos em Portugal a valores superiores aos correspondentes em Espanha e, comparando com França, a taxa de esforço (em relação ao salário) dos consumidores para comprar comida é quase o dobro.
Para tal, comparou o custo de um cabaz com 13 produtos alimentares essenciais na Auchan, única cadeia de supermercados online que existe simultaneamente em Portugal, Espanha e França, bem como os preços nos maiores hipermercados dos três países e da Alemanha.
Para o mesmo cabaz de 13 produtos básicos - laranjas, maçãs, cebolas, brócolos, leite meio-gordo, ovos classe M, arroz, esprguete, farinha, açúcal, óleo alimentar, azeite e pescada congelada - na mesma cadeia de supermercados, os consumidores pagam 27,04 euros em Portugal e 24,04 euros em Espanha. Em França, o preço do mesmo cabaz é de 34,28 euros. Mas se tivermos em conta os valores dos salários mínimos praticados nos três países - 760 euros, 1080 euros e 1645 euros, respetivamente - o peso deste cabaz é de 3,56% desse salário em Portugal, 2,23% em Espanha e 2,08% em França.
Há produtos que chegam a custar mais em Portugal do que em Espanha e França, como é o caso das maçãs, das cebolas e do esparguete. Neste caso, a diferença do preço é 60% superior à do esparguete da mesma marca branca nas prateleiras espanholas. A seleção de produtos seguiu o critério de procurar nas lojas online do Auchan os mais baratos e sem promoções nos dois primeiros dias deste mês. Para o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier, "não é justo" comparar preços entre países "sem dizer que Espanha aboliu o IVA dos produtos essenciais" e que França e Alemanha, juntas, valem "70% do conjunto das ajudas de Estado na Europa".
Na inspeção da ASAE a 123 supermercados portugueses na semana passada, foram detetadas "margens brutas acima de 50%", disse ao JN o secretário de Estado do Turismo, Nuno Fazenda. A fiscalização resultou em 12 processos-crime, a maioria por especulação, numa ação que visou detetar casos em que os preços expostos nas prateleiras são diferentes (e mais baixos) do que os preços cobrados pelos mesmos produtos na caixa do supermercado.
Apesar do abrandamento generalizado da inflação, o setor da alimentação em Portugal encareceu mais de 20% este fevereiro face a 2022 e registou-se a maior quebra no consumo alimentar das famílias de que há registo.