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Soeiro critica “obsessão” de Rui Moreira em despejar os 500 músicos do STOP

Autarca deu dez dias aos músicos para abandonarem o edifício que acolhe dezenas de estúdios para ensaios. Mas o relatório da proteção civil que Moreira invoca não determina o encerramento do espaço.
Manifestação em defesa do STOP, 24 julho 2023.
Manifestação em defesa do STOP, 24 julho 2023. Foto de Elisabete Carvalho.

À margem de um encontro com trabalhadores da RTP em Gaia, o deputado bloquista José Soeiro voltou a criticar o presidente da Câmara do Porto por ter dito  aos músicos, “mais uma vez sem qualquer tipo de diálogo, que têm dez dias para abandonar o STOP”.

“Que Rui Moreira volte agora, depois de ter determinado o encerramento do STOP sem qualquer diálogo com os músicos, depois de ter recuado perante a mobilização dos músicos, que agora utilize um relatório da proteção civil que não determina o encerramento para dizer que os músicos têm dez dias para abandonar o espaço porque pretende encerrá-lo, parece-nos absolutamente inaceitável”, afirmou Soeiro aos jornalistas.

“Não é uma decisão que decorra do relatório da proteção civil nem do interesse da cidade, é uma decisão que decorre de outros interesses, que nós não sabemos quais são”, prosseguiu.

Para o deputado do Bloco, “esta obsessão de Rui Moreira em despejar os 500 músicos que têm no STOP o seu local de trabalho não decorre do relatório da Autoridade Nacional de Proteção Civil” que o autarca invocou para justificar o despejo. José Soeiro defende que “é necessário transformar aquele relatório em medidas concretas para que se possa intervir, fazer obras, fazer a requalificação do STOP e manter os músicos”.

O Bloco já requereu a presença no Parlamento de responsáveis da Proteção Civil, das associações de músicos, da administração do condomínio daquele antigo centro comercial com as lojas convertidas em espaços de ensaio, a par de Rui Moreira e do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.

A ida do ministro ao Parlamento justifica-se, prosseguiu Soeiro, pois o STOP é “um viveiro cultural significativo para o Porto e o país, porque não há outros espaços onde se concentrem 500 músicos e que seja um espaço de ensaio e produção cultural”. Por essa razão, o deputado do Bloco entende que “despejar estes músicos é destruir um espaço fundamental da criação cultural da cidade e do país” e que para salvar este espaço serão necessárias soluções “que podem também passar pelo Ministério em articulação com a autarquia”.

Termos relacionados Músicos no STOP, Cultura
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