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Só 25 doses da vacina contra a covid-19 foram administradas num país pobre

39 milhões de doses foram administradas em 49 países ricos. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, diz que o mundo “está à beira de um fracasso moral catastrófico”.
Vacina covid-19
Foto de Carlos Barroso | Lusa

Na abertura da 148.ª sessão do Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou, esta segunda-feira, que o mundo “está à beira de um fracasso moral catastrófico”, caso os países ricos não partilhem as vacinas contra a covid-19 com os países mais pobres, de acordo com o Diário de Notícias (DN).

O diretor-geral da OMS referiu ainda que apenas 25 doses foram administradas num país pobre, contrapondo com os 39 milhões de doses fornecidas a 49 países ricos. Tedros Adhanom Ghebreyesus acrescentou que “a promessa” dos países ricos do “acesso equitativo” às vacinas “está em sério risco”.

"Não é correto que adultos mais jovens e saudáveis em países ricos sejam vacinados antes de profissionais de saúde e idosos em países mais pobres", apontou Ghebreyesus.

O problema, de acordo com o dirigente da OMS, está em que alguns países e farmacêuticas estão a priorizar acordos bilaterais, fugindo assim da rede de distribuição Covax, “elevando os preços e tentando saltar para a fila da frente”. “Isto está errado”, frisou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“A situação é agravada pelo facto de a maioria dos fabricantes ter priorizado a aprovação regulatória nos países ricos, onde os lucros são mais altos, em vez de submeter dossiês completos à OMS”, sublinhou.

A OMS, através da rede Covax, espera dar início em fevereiro a entrega de vacinas aos países mais pobres. Foram reservadas 2 mil milhões de doses a 5 farmacêuticas, com opção de mais mil milhões.

À indústria farmacêutica, o dirigente da OMS pediu “dados completos” para que se possa “acelerar as aprovações” necessárias e que priorizem a rede Covax, em vez de acordos bilaterais com os países.

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