Televisão pública

Sindicatos dizem que proposta do Governo para RTP enfraquece muito serviço público

18 de outubro 2024 - 16:53

Uma plataforma de sindicatos de trabalhadores da RTP reuniu com o Bloco de Esquerda afirmando a defesa do serviço público de rádio e televisão. Mariana Mortágua está solidária e lembra que as democracias consolidadas têm canais públicos de televisão.

PARTILHAR
Microfone da RTP.
Microfone da RTP. Foto de Paulete Matos.

À saída de uma reunião com o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, na tarde desta sexta-feira, uma plataforma que congrega vários sindicatos de trabalhadores da RTP manifestou a sua oposição à proposta de acabar com a publicidade no canal público de televisão.

Fernando Andrade, em nome destes sindicatos que se juntam para “defender o serviço público de rádio e de televisão”, defende que a proposta do Governo “vai enfraquecer muito o serviço público”.

“A bem da democracia”, afirma, espera que o plano do executivo não seja posto em prática porque um “jornalismo com liberdade” é importante para manter a “democracia saudável”.

Lembra-se ainda a qualidade do trabalho feito e os prémios nacionais e internacionais recebidos e o apoio a vários projetos. Outra das razões que o sindicalista avança é que com o dinheiro da publicidade também podem ser apoiados os privados. Por exemplo, no ano passado e este ano, revela, a RTP adquiriu serviços ao grupo SIC na ordem de meio milhão de euros e o final da publicidade limita a possibilidade de fazer este tipo de aquisições de serviços.

“As democracias consolidadas têm canais públicos de televisão”

Em nome do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua afirmou que o tema “preocupa muito” o partido e “deve preocupar o país”. Isto “por uma razão óbvia”: “o serviço público de rádio e televisão é essencial ao país, é um fator essencial da nossa soberania, do desenvolvimento cultural”.

Recorda-se que “a RTP financia uma parte da produção cultural em Portugal, garante que é um serviço que chega a toda a gente, na pandemia garantiu a escola para quem teve que ficar em casa e é um serviço ao qual recorremos e sobre o qual existe uma enorme exigência”.

Criticou o “passado de ataque à RTP” do PSD com “uma tentativa de privatização, desmantelamento, divisão do serviço público pelos canais privados e por outros canais, de forma a criar mais áreas de negócio”.

Para ela, o plano governamental significa que “ou o governo está a usar dinheiro público para transferir para os privados a receita por via da publicidade que sai da RTP para ir para os privados, ou quer mesmo privatizar a RTP”. Isto apesar do governo continuar “incapaz de dizer o que quer fazer” e “se vai compensar ou não a RTP pelas receitas que vai perder da publicidade”.

A coordenadora do Bloco fez também questão de lembrar que “as maiores democracias, mais consolidadas, têm canais públicos de televisão”, exemplificando com os casos do Reino Unido e da França, onde “a cultura é apoiada através de canais do Estado”.

Assim, “em Portugal, esta visão pequenina e mesquinha que acha que temos de estar sempre a desmantelar o que é de todos, para fazer negócio com a meia dúzia de privados que têm muito poder, é aquilo que nos vai empobrecendo ao longo do tempo”, concluiu.