Está aqui

Sindicato exige integração de mais de dois mil enfermeiros precários

Durante uma concentração à porta do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, o SEP denunciou que “é o Governo que fomenta a precariedade”.
Concentração do SEP esta quarta-feira em Matosinhos.
Concentração do SEP esta quarta-feira em Matosinhos. Foto Estela Silva/Lusa

Numa ação contra a precariedade no setor, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou esta quarta-feira à porta do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, a situação dos enfermeiros contratados no início da pandemia e que veem agora o seu vínculo terminar em breve.

O sindicato exige que o Governo passe a contrato efetivo “mais de 2.000” enfermeiros de forma a dar a “estabilidade necessária” ao Serviço Nacional de Saúde.

“O serviço necessita, o SNS necessita de enfermeiros e temos de reforçar a ideia de que necessitamos do apoio e autorização do Governo para que o hospital nos possa permitir contratos melhores (…). O conselho de administração do hospital [Pedro Hispano] está solidário connosco, mas precisa de uma autorização do Conselho de Ministros para poder terminar com os contratos precários”, disse à agência Lusa Inês Fardilha, uma das enfermeiras cujo contrato termina este mês. O SEP afirma que só no Pedro Hispano há 102 enfermeiros com contratos a termo ao abrigo das contratações extraordinárias por causa da covid-19, e outros 28 com contratos de substituição.

Para a coordenadora da direção regional do SEP, Fátima Monteiro, “a pandemia veio exaltar a falta de profissionais” e pôr em causa os direitos destes profissionais. “Continuamos a ver horários de 12 horas consecutivas. Continuamos a verificar que há colegas que querem gozar férias e não podem. Continuamos a ver os nossos colegas a querer acompanhar os filhos menores, mas por falta de pessoal não podem”, exemplificou. Por essa razão, acrescenta, os enfermeiros com vínculo precário são necessários e venham muitos mais porque continuam a ser necessários”.

Com contrato efetivo e 20 anos de profissão, o enfermeiro José Afonso não faltou à chamada em solidariedade com os colegas. “Os meus colegas estão a ser vítimas desta situação injusta por más decisões por parte do Governo. São extremamente precisos. Trabalham comigo [no Serviço de Urgência por exemplo] com doentes covid-19. Muitos deles já ficaram, como eu, doentes e já se curaram e estão aqui prontos para dar o seu melhor”, afirmou à Lusa durante o protesto.

Com baterias apontadas ao Governo, que no último despacho efetivou apenas 500 enfermeiros, a dirigente do SEP afirma que “o Governo não toma as medidas necessárias para efetivar estes profissionais e é ele mesmo quem fomenta a precariedade”.

“Exigimos opções políticas que de uma vez por todas acabem com a incerteza nos serviços. Para os hospitais também é muito complicado. Sei que este conselho de administração já fez todas as iniciativas possíveis para que o Ministério lhe dê autorização para efetivar. Alguns reúnem condições, mas há um volume muito significativo que fica com a sua situação por resolver”, alertou Fátima Monteiro, concluindo que “não há SNS que funcione bem sem ter estabilidade dos seus profissionais”.

Termos relacionados #SomosTodosSNS, Sociedade
(...)