Sindicato dos atores chega a pré-acordo com estúdios de Hollywood

09 de novembro 2023 - 22:00

Os trabalhadores conseguiram aumento das compensações pela transmissão nas plataformas de streaming, melhorias no sistema de saúde e garantias de que a sua imagem não será utilizada através de meios de inteligência artificial sem pagamento ou aprovação.

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Atores em greve em frente à Paramount. Foto da SAG-AFTRA.
Atores em greve em frente à Paramount. Foto da SAG-AFTRA.

O SAG-AFTRA, sindicato que representa dezenas de milhares de atores nos EUA, chegou esta quarta-feira a um pré-acordo com os grandes estúdios de Hollywood. Se for ratificado pelas bases, acabarão assim os 118 dias de greve e o processo de luta mais vasto dos trabalhadores destas empresas que durava desde maio, quando os guionistas tinham começado a sua greve. Entretanto, o Writers Guild of America, tinha já alcançado a 24 de setembro um pré-acordo que terminou a sua paralisação.

Em ambas as greves estiveram em causa preocupações semelhantes, nomeadamente os parcos pagamentos pela utilização dos seus trabalhos nas plataformas de streaming e as implicações da inteligência artificial no seu trabalho.

O SAG-AFTRA conseguiu o aumento das compensações pela transmissão do trabalho dos atores nas plataformas de streaming, melhorias no sistema de saúde e garantias de que a sua imagem não será utilizada através de meios de inteligência artificial sem pagamento ou aprovação.

O sindicato ficou aquém de uma das propostas centrais que levou para as negociações: uma percentagem de 2% dos ganhos das plataformas de streaming. Ao longo das discussões ainda baixou a proposta para 1%, mas empresas como a Netflix continuaram sem aceitar. Em alternativa, foi-lhes oferecido um sistema de pagamento pela transmissão dos seus trabalhos baseado numa medição do alcance das obras. O sindicato acabou por aceitar a contra-proposta.

Assim, os atores não reivindicam uma vitória total com o processo. Um dos membros do comité negocial do sindicato, Shaan Sharma, chegou mesmo a dizer ao New York Times que tinha sentimentos mistos quanto ao acordo, manifestando satisfação quanto ao acordo em geral, mas “um sentimento de perda por algo que não se conseguiu e que se pensava ser importante”.

Fran Drescher, a presidente do sindicato, foi bem mais efusiva. No Instagram escreveu: “Conseguimos!!!!”. De acordo com o jornal norte-americano, a atmosfera geral da classe profissional não é de festejos, com o número de contratos a diminuir e com séries televisivas a serem canceladas e canais por cabo em má situação financeira. A Disney, por exemplo, a lidar com perdas, eliminou 7.000 empregos na passada primavera.

Por sua vez, a organização patronal, a Alliance of Motion Picture and Television Producers, diz que concedeu “os maiores ganhos da história do sindicato”. Isto depois de se ter recusado no início do processo a negociar muitas das reivindicações destes trabalhadores. Os patrões do setor olham agora para meados do próximo ano, quando os contratos coletivos de trabalho com os sindicatos que representam as equipas de filmagens vão acabar.

Algumas das empresas da “indústria do entretenimento” norte-americana enfrentam ainda a vaga de sindicalizações que atravessa o país. Recentemente os trabalhadores da produção da secção de Animação da Walt Disney votaram pela sindicalização, tal como os criadores da efeitos visuais da Marvel.