O primeiro de dois dias de greve na Silopor, ocorrido esta quinta-feira, ficou marcado pela substituição dos trabalhadores em greve por outros de uma empresa prestadora de serviços.
A denúncia é do sindicato CESP que, em comunicado, acrescenta que "já denunciou esta ilegalidade à ACT".
De acordo com a estrutura representativa dos trabalhadores, os trabalhadores contratados para a limpeza e manutenção pela empresa prestadora de serviços WSP fizeram na manhã de quinta-feira a descarga de camiões na Trafaria, o que é "um ataque ao direito à greve".
Os trabalhadores estão contra a privatização da Silopor por a considerarem "uma empresa estratégica para o país" dado que armazena mais de 58% do cereal consumido em Portugal. É portanto "fundamental para o controlo de preços nas indústrias das rações e da panificação".
Para além disso, exigem a recuperação do tempo de serviço congelado no período da troika e o “aumento dos salários de todos os trabalhadores em 15%, no mínimo 150 euros”.
Célia Lopes, dirigente deste sindicato, fez o balanço do primeiro dia de greve à Lusa sublinhando que “os dois silos do Beato e da Trafaria estão encerrados”.
A Silopor pertence ao setor empresarial do Estado mas, desde 2001, está em liquidação desde 2001 por decisão da Comissão Europeia devido à dívida herdada da EPAC. Desde 2016 que dá lucro e continua a ser gerida por uma comissão liquidatária com mandato prolongado até junho de 2025. Nessa data, termina igualmente o contrato de concessão do Porto de Lisboa à empresa.
Os trabalhadores não têm respostas sobre o futuro da empresa. Defendem que “estando saldada toda a dívida herdada" o decreto de liquidação deve ser revogado, com a empresa a manter-se no setor empresarial do Estado e o contrato de concessão prolongado "para o limite dos 75 anos (como, aliás, já ocorreu com outras empresas que operam nos portos do país)”.