Silopor: Dia de greve numa das empresas estratégicas para o país

31 de janeiro 2024 - 11:42

Na Silopor, empresa lucrativa detida a 100% pelo Estado e que está há 24 anos em liquidação, os trabalhadores estão em luta contra a precariedade, por melhores salários e a valorização das carreiras. Bloco esteve presente no piquete de greve e acompanha as reivindicações dos trabalhadores.

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Piquete de greve dos trabalhadores da Silopor no terminal da Trafaria. Foto da União-Sindicatos-Setúbal.

Decidida em plenário, a greve dos trabalhadores da Silopor visa reivindicar a integração nos quadros da empresa dos mais de 20 trabalhadores de empresas de trabalho temporário, alguns dos quais a prestar serviço diariamente na Silopor desde 2019; bem como a valorização dos seus salários, não aceitando as limitações impostas pelo Ministério das Finanças e a comissão liquidatária da empresa, de aumento até 5% da massa salarial, onde se incluem as promoções e o pagamento extra do trabalho suplementar.

Em causa está ainda a revisão do Acordo do Empresa, “garantindo uma maior e mais célere progressão na carreira, até como forma de compensar os trabalhadores pelo congelamento de carreiras ocorrido no período da troika”, conforme explica o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).

Além da paralisação de 24 horas agendada para esta quarta-feira, os trabalhadores da Silopor promoveram um piquete de greve no silo da Trafaria.

A iniciativa contou com a presença da Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha, e de dirigente bloquista Joana Mortágua, que se associou às reivindicações dos trabalhadores.

Pelas 14h30, os trabalhadores vão ainda promover uma ação de denúncia em frente ao Ministério das Finanças, com a presença da Presidente da dirigente nacional do CESP Filipa Costa.

Silopor: Uma empresa estratégica e lucrativa

A empresa de silos portuários Silopor é uma empresa estratégica para o país. Desde os anos 1990, a sua atividade conheceu um forte incremento. Atualmente, a Silopor é responsáveis pelo descarregamento e armazenamento de praticamente 60% dos cereais que Portugal importa, sendo que o país importa mais de 90% dos cereais que consome.

Terminal da Silopor na Trafaria. Foto CGTP.

A empresa conta com terminais no Beato, o único vocacionado para abastecer as indústrias transformadoras de trigo panificável e de rações para animais que se situam na zona da Grande Lisboa; na Trafaria, que recebe carregamentos destinados a outros portos do Mediterrâneo, do Norte da Europa ou às Regiões Autónomas e descarrega navios oceânicos cujos produtos são armazenados e expedidos para o mercado nacional, o hinterland Espanhol ou para outros cais do porto de Lisboa; e no Vale de Figueira, Ribatejo, que, além de receber os produtos da produção local, pode igualmente acolher os cereais que sejam transferidos a partir dos terminais portuários da Trafaria e do Beato.

Detida a 100% pelo Estado, a empresa encontra-se há 24 anos em liquidação, o que tem condicionado investimentos em grande escala, nomeadamente para aumentar a sua capacidade de armazenagem, e servido de justificação para a precarização laboral e desvalorização salarial. No relatório que acompanhou a proposta do Orçamento do Estado para 2023, o Governo da maioria socialista anunciou que previa concluir o processo de entrega da empresa a privados. Já em gestão, o executivo decidiu deixar para o próximo Governo a decisão relativamente ao lançamento de um concurso público, e renovou o mandato da comissão liquidatária até junho de 2025, altura em que termina o contrato de concessão da Silopor.

Isto apesar de a própria comissão liquidatária alertar que a empresa é “absolutamente essencial no abastecimento alimentar do país, o que não pode deixar de ser levado em conta em decisões quanto ao seu futuro". E de a Solipor atualmente não ter quaisquer dívidas, e de se prever que 2023 seja o seu melhor ano de sempre em termos de lucros. Em 2022, a empresa amealhou 3,83 milhões de euros, mais 60,1% face a 2021, registando "o maior volume de movimentação e o mais elevado resultado da sua história", segundo o relatório e contas anual.