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Setor social trouxe à rua a luta por salários decentes

Trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social estiveram em greve esta sexta-feira e manifestaram-se em vários pontos do país em frente à sedes da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, responsável por negociar com o Governo as tabelas salariais.
Manifestação no Porto. Foto STSSS/Facebook

São muitas dezenas de milhares de pessoas que trabalham em lares de idosos e em instituições de solidariedade com salários que nunca vão muito acima do salário mínimo. Elogiados durante a pandemia, o reconhecimento não surge quando é altura de negociar tabelas salariais. Por isso, o CESP convocou uma greve para esta sexta-feira e concentrações em vários pontos do país.

Para Ana Rodrigues, do CESP, "estes trabalhadores não podem ser trabalhadores de salário mínimo, têm de ser valorizados", recordando também o esforço e o empenho demonstrados durante a pandemia. "Este setor não pode só receber palmas públicas, tem também de receber monetariamente", afirmou a sindicalista à RTP.

No Porto, Joaquim Espirito Santo, do  Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, afirmou a insatisfação destas dezenas de milhares de trabalhadores com a proposta de aumentos salariais. "A resposta da CNIS é que não pode fazer aumentos salariais. Os 3,6% de aumento foram praticamente absorvidos pelo SMN e no fundo só representa 0,9%", afirmou o sindicalista à RTP.

"Os trabalhadores não podem continuar com salários de miséria"

O padre Lino Maia, que preside à CNIS, recebeu uma delegação dos manifestantes e disse que não pode subscrever as reivindicações, pois as receitas das instituições são muito baixas. Joaquim Espírito Santo lembra que "os trabalhadores não são chamados a essas negociações, a CNIS é que tem de saber negociar com o Governo e perceber que os trabalhadores não podem continuar com salários de miséria e dos mais baixos a nível nacional".

"Trabalhadores que a própria CNIS no tempo da pandemia considerava trabalhadores essenciais, quando fizeram falta às instituições. Agora somos descartados desta forma", lamentou, acrescentando que "a CNIS pelos vistos já tem assinado com a UGT o contrato que eles querem e vai mandar as tabelas que eles fizeram, que são miseráveis".

Os trabalhadores das IPSS, Misericórdias e Mutualidades estão em luta pelo aumento dos salários de todos os trabalhadores, bem como pela negociação de contratos coletivos de trabalho para todas as pessoas que trabalham no setor social. Lutam também contra a retirada de subsídios de turno, exigem o pagamento de diuturnidades com valor inferior a 21€ e cargas horárias não superiores a 37 horas semanais para os ajudantes de ação direta.

Em Lisboa e no Porto, o Bloco de Esquerda fez-se representar em solidariedade com a luta destes trabalhadores. "Gente que cumpre funções de cuidado essenciais e que passa uma vida inteira com salário mínimo. Sob o assalto da inflação, dão o exemplo da resistência", afirmou o dirigente bloquista Jorge Costa na manifestação realizada em frente à União das Misericórdias Portuguesas.

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