Na noite deste sábado, foi conhecida a decisão final do Conselho Constitucional do Senegal sobre quais as candidaturas às presidenciais do próximo dia 25 de fevereiro seriam validadas. Foram aprovadas 20 candidaturas mas a do principal candidato da oposição, Ousmane Sonko, foi rejeitada.
Sonko continua na prisão desde abril de 2023. Foi condenado a seis meses de prisão por “difamação” do ministro do turismo Mame Mbaye Niang. Por este facto, o seu nome tinha já sido retirado da lista provisória de candidaturas, decisão da qual tinha recorrido. Os membros daquele órgão mantiveram a decisão considerando que a decisão do Supremo Tribunal “o torna inelegível por cinco anos”.
Para além disso, foi ainda condenado a dois anos de prisão por corrupção moral de menores e é acusado de apelo à insurreição, conspiração com grupos terroristas e colocar em perigo a segurança de Estado na sequência do seu papel nas mobilizações contra a recandidatura do atual presidente. Acusações que considera terem como objetivo impedi-lo de se candidatar.
O partido do qual fazia parte, o Pastef, foi dissolvido. O porta-voz da organização, El Malick Ndiaye, considera que afastar um dos favoritos “cria o precedente mais perigoso da história política do Senegal”.
Apesar de tudo, vários candidatos provenientes do Pastef consideram passar o patamar da validação. Entre eles, Bassirou Diomaye Faye, considerado o braço direito do anterior líder que passa a ser o candidato oficial do partido com o lema “é Diomaye que é Sonko”. Também ele está detido mas, com o caso ainda não chegou a julgamento, o Conselho Constitucional decidiu que mantinha os seus direitos políticos. No mesmo campo político, apresentam-se nas presidenciais ainda o antigo diretor de campanha de Sonko, Cheikh Tidiane Dieye, e o ex-deputado e ex-presidente da Câmara de Linguère, Habib Sy. Todos eles próximos de Sonko, e vistos como forma de assegurar que uma candidatura do Pastef fosse a votos, coloca-se agora a possibilidade de desistirem ainda antes da primeira volta das eleições se realizar.
De fora dos boletins fica também Karim Wade do liberal Partido Democrático do Senegal. De acordo com a lei do país, um candidato presidencial não pode ter dupla nacional. Karim tinha também nacionalidade francesa e oficialmente, considerou o Conselho Constitucional, só a deixou de ter a 16 de janeiro quando o jornal oficial francês publicou o decreto. Assim, a sua declaração de honra de que não tinha dupla nacionalidade, enviada em dezembro aquando da oficialização da candidatura, foi considerada “inexata”.
Numa primeira leitura, na semana anterior, a candidatura fora validada, mas depois de um recurso do candidato Thierno Alassane Sall acabou por ser anulada.
Este candidato, que agora se apresentava à frente de uma coligação intitulada K24, ou Karim 24, já tinha tentado uma candidatura presidencial anteriormente em 2019. Na altura, o filho do ex-presidente da República Abdoulaye Wade, um histórico da política senegalesa que foi chefe de Estado entre 2000 2012, e seu ministro de Estado, da Cooperação e dos Transportes, tinha também sido invalidada. Dessa vez por causa de ter sido condenado por enriquecimento ilícito e desvio de fundos. O presidente Macky Sall perdoou a condenação em 2016 mas Karim continuou a viver no Qatar onde se tinha exilado.
Nas suas redes sociais, diz agora ser uma decisão escandalosa e um atentado à democracia, justificando que há muito renunciou à nacionalidade francesa. A sua mandatária, Maguette Sy, alega que a culpa é também da França: Karim terá declarado a renúncia à nacionalidade francesa em outubro e o atraso na promulgação teria sido deliberado por parte do Estado francês.
Macky Sall, o presidente da República desde 2012, tinha anunciado em julho que não se recandidatava, depois dos protestos massivos que enfrentou contra essa possibilidade que estava em cima da mesa mas que violaria a constituição do país. Selecionou, no seu campo político, o primeiro-ministro Amadou Ba para lhe suceder. Nos boletins de voto vai ainda ter a concorrência dos ex-primeiro ministros Idrissa Seck e Mahammed Boun Abdallah Dionne e do ex-presidente da Câmara de Dakar, Khalifa Sall.