O semanário Expresso contactou as principais seguradoras que controlam o mercado dos seguros de saúde em Portugal sobre as perspetivas do negócio para este ano. Do ponto de vista das seguradoras, as perspetivas são boas, pois o número de pessoas que subscrevem estes produtos tem vindo a aumentar e o valor pago pelos prémios mais do que duplicou em dez anos, aproximando-se em 2022 dos 1.200 milhões de euros. No ano passado terão entrado mais 300 mil beneficiários no sistema, rondando agora os 3,6 milhões de pessoas com seguro de saúde em Portugal.
Já do ponto de vista dos segurados, 2024 vai trazer aumentos dos prémios que pagam, que provavelmente ultrapassarão a taxa de inflação prevista. A consultora Aon estima que esse aumento deverá rondar os 10% em média, ou seja, é provável que os serviços de saúde mais procurados sofram aumentos maiores. Tanto as empresas como o líder da associação que as representa justificam estes aumentos com a inflação mas também com o aumento da procura de assistência médica dos seus segurados, que atribuem às dificuldades do SNS.
José Galamba de Oliveira, o líder da Associação Portuguesa de Seguradores, disse ao Jornal Económico que os custos das seguradoras dispararam com o "aumento brutal da frequência" por parte das pessoas que optaram pelos prestadores convencionados por estes seguros, "seja porque vão a mais consultas ou fazem mais exames médicos". “Não há forma de ultrapassar isto. Uma parte destes custos estão a ser refletidos nos prémios dos seguros de uma forma generalizada”, diz o líder das seguradoras, confirmando que no ano passado o setor dos seguros de saúde foi o ramo com maior crescimento, superior a 15%.
Uma fonte da Muticare confirmou ao Expresso que irá aumentar o preço dos seguros individuais e de grupo, sem avançar valores concretos. O CEO da Tranquilidade, Pedro Carvalho, diz que "as seguradoras não estão a ganhar dinheiro, estão a perder" à medida que mais pessoas utilizam o serviço, prometendo aumentos ao longo do ano, em particular para os cuidados médicos que têm mais procura. O gestor explica que neste negócio "quando há rubricas com menos sinistros, há poupanças e, nas que estão a ter mais utilização, os custos disparam".
Também a Médis atribui culpas ao "atual contexto de dificuldade no acesso a cuidados de saúde" no SNS, que fez aumentar o número de pessoas com seguros de saúde que recorrem ao setor privado, "observando-se assim um aumento significativo do número de utilizadores do seguro de saúde, e o número de vezes por utilizador, sendo o período entre a compra e a primeira utilização do seguro cada vez mais curto”.