Saúde mental: Falta de aposta e investimento no SNS deixa vinte mil utentes em espera

28 de dezembro 2023 - 13:17

Moisés Ferreira lamenta que o PS prefira um “SNS à míngua”, tendo chumbado a proposta do Bloco para a contratação de 500 psicólogos para os cuidados de saúde primários, constituição das equipas comunitárias que respeite o rácio populacional previsto na lei, entre outras medidas.

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Foto de José Luis Navarro, Creative Commons.

De acordo com um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), citado pelo Jornal de Notícias, no final de junho, 19 854 utentes aguardavam consulta de psiquiatria, de adultos e crianças, e de psicologia. Destes, 2010 não tinham prioridade especificada. Dos 15 505 doentes referenciados para consulta hospitalar com prioridade normal, 29% já tinham ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido, de 120 dias. Já entre os utentes prioritários, num total de 1662, 45% já tinham ultrapassado o prazo máximo de espera, de 60 dias. No que respeita aos 677 muito prioritários, 57% já aguardavam há mais tempo do que os 30 dias recomendados.

Nos primeiros seis meses do ano, foram atendidos em consulta de psiquiatria, de adultos e da infância e adolescência, e de psicologia, 21 786 utentes, dos quais 39% esperaram mais do que o tempo máximo de resposta garantido. A ERS esclarece que a média do tempo de espera em todas as prioridades foi de 105 dias.

Ainda que, entre 2013 e 2022, o rácio de médicos, psicólogos e enfermeiros por habitantes tenha aumentado, o mesmo continua a ser manifestamente insuficiente, e persistem muitas assimetrias geográficas.

“PS prefere um SNS à míngua”

Nas suas redes sociais, Moisés Ferreira refere que “o estado da saúde mental mostra a falta de aposta e de investimento no SNS”.

O dirigente do Bloco de Esquerda lembra que, recentemente, o partido apresentou uma lei de meios para a saúde mental, com a contratação de 500 psicólogos para os cuidados de saúde primários, constituição das equipas comunitárias que respeite o rácio populacional previsto na lei, entre outras medidas.

“O PS chumbou tudo. Votou contra tudo. Prefere um SNS à míngua”, lamenta Moisés Ferreira.

O dirigente bloquista avança ainda que, neste caso, o Partido Socialista “nem se pode desculpar com a falta de profissionais”.

“No caso dos psicólogos basta abrir concursos. No caso destes e de tantos outros profissionais basta dar-lhes boas condições de carreira e de trabalho. Por outras palavras: basta querer. E o PS não quis, tal como o PSD não quis”, remata.