De acordo com um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), citado pelo Jornal de Notícias, no final de junho, 19 854 utentes aguardavam consulta de psiquiatria, de adultos e crianças, e de psicologia. Destes, 2010 não tinham prioridade especificada. Dos 15 505 doentes referenciados para consulta hospitalar com prioridade normal, 29% já tinham ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido, de 120 dias. Já entre os utentes prioritários, num total de 1662, 45% já tinham ultrapassado o prazo máximo de espera, de 60 dias. No que respeita aos 677 muito prioritários, 57% já aguardavam há mais tempo do que os 30 dias recomendados.
Nos primeiros seis meses do ano, foram atendidos em consulta de psiquiatria, de adultos e da infância e adolescência, e de psicologia, 21 786 utentes, dos quais 39% esperaram mais do que o tempo máximo de resposta garantido. A ERS esclarece que a média do tempo de espera em todas as prioridades foi de 105 dias.
Ainda que, entre 2013 e 2022, o rácio de médicos, psicólogos e enfermeiros por habitantes tenha aumentado, o mesmo continua a ser manifestamente insuficiente, e persistem muitas assimetrias geográficas.
“PS prefere um SNS à míngua”
Nas suas redes sociais, Moisés Ferreira refere que “o estado da saúde mental mostra a falta de aposta e de investimento no SNS”.
O dirigente do Bloco de Esquerda lembra que, recentemente, o partido apresentou uma lei de meios para a saúde mental, com a contratação de 500 psicólogos para os cuidados de saúde primários, constituição das equipas comunitárias que respeite o rácio populacional previsto na lei, entre outras medidas.
“O PS chumbou tudo. Votou contra tudo. Prefere um SNS à míngua”, lamenta Moisés Ferreira.
O dirigente bloquista avança ainda que, neste caso, o Partido Socialista “nem se pode desculpar com a falta de profissionais”.
“No caso dos psicólogos basta abrir concursos. No caso destes e de tantos outros profissionais basta dar-lhes boas condições de carreira e de trabalho. Por outras palavras: basta querer. E o PS não quis, tal como o PSD não quis”, remata.