Argentina

“Santuário de golpistas”: Governo Milei questionado sobre entrada ilegal de bolsonaristas fugidos à justiça

16 de junho 2024 - 13:10

Deputados argentinos e brasileiros do parlamento do Mercosul exigem explicações à ministra argentina da Segurança. Suspeitos são procurados por envolvimento na tentativa de golpe de estado de janeiro de 2023. Filho de Bolsonaro foi a Buenos Aires enquanto deputado pedir asilo para os golpistas.

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Leandro Melito

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Invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília a 8 janeiro 2023.
Invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília a 8 janeiro 2023. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Parlamentares da Argentina e do Brasil que integram o Parlasul [parlamento do Mercosul] enviaram nesta sexta-feira (14) uma carta à Ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, pedindo esclarecimentos sobre a entrada ilegal no país de mais de 65 bolsonaristas fugitivos, acusados da tentativa de golpe no Brasil.

Na carta, os parlamentares solicitam "informações confiáveis sobre a situação de um grupo de cidadãos brasileiros acusados da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023 na República Federativa do Brasil e que entraram ilegalmente na República Argentina".

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Em declarações ao Brasil de Fato, Gabriel Fuks, que é o chefe do bloco de deputados do Parlasul pelo partido argentino União Pela Pátria, afirma que informações obtidas com fontes da Polícia Federal brasileira apontam que o número de fugitivos que entraram de forma ilegal no país vizinho pode chegar a 100 pessoas.

"Exigimos que a ministra esclareça essa situação, porque, sem dúvida, é muito difícil que esse volume de pessoas tenha cruzado as fronteiras sem a colaboração ou omissão das autoridades argentinas. A nossa preocupação é que a Argentina se transforme num santuário de golpistas", disse Fuks.

"Um volume tão grande de pessoas que estão a ser processadas não pode cruzar uma fronteira sem que as autoridades de segurança e de migração argentinas saibam, ou os seus serviços de informações, que são para esse fim e não, como muitas vezes são usadas, para investigar os próprios argentinos".

Na última semana, a Polícia Federal (PF) brasileira realizou uma operação para cumprir mandados de prisão preventiva contra 208 condenados ou investigados pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro do ano passado. Os alvos são considerados fugitivos ou apresentam risco de fuga.  

As investigações apontam para os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

As apurações indicam que o prejuízo decorrente da invasão e depredação aos prédios dos três Poderes, em Brasília, gira em torno de R$ 40 milhões [cerca de sete milhões de euros].  

Eduardo Bolsonaro pediu asilo para golpistas

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) viajou para a capital argentina Buenos Aires no final de maio para pedir asilo político aos golpistas brasileiros naquele país, durante um evento promovido pela deputada argentina Maria Celeste Ponte, aliada do presidente Javier Milei.

A comitiva liderada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi formada pelos deputados federais de extrema direita Júlia Zanatta (PL-SC), Marcel Van Hattem(Novo-RS) e Rodrigo Valadares (União-SE).

"As autoridades argentinas não estão dando uma resposta. Não estamos debatendo se a Argentina deve ou não dar asilo. O direito de asilo pertence a cada indivíduo, não é coletivo. A Conadi (Comissão Nacional pelo Direito à Identidade) é um órgão de prestígio nessa questão e veremos o que acontece", concluiu Fuks.


Artigo editado por Rodrigo Durão Coelho e publicado no Brasil de Fato. Editado para português-PT pelo Esquerda.net.