Catarina Martins esteve este domingo em Santarém, na apresentação da candidatura do Bloco em Santarém, que tem como Fabíola Cardoso primeira candidata à Câmara Municipal, Filipa Filipe candidata à Assembleia Municipal e Teresa Nascimento candidata à União de Freguesias da Cidade de Santarém.
A coordenadora do Bloco de Esquerda começou por agradecer aos trabalhadores migrantes que a receberam e a quem garantiu que o Bloco vai continuar a luta contra o trabalho forçado.
Queremos agricultura, direitos humanos e direitos do trabalho
Catarina Martins referiu-se a seguir à declaração de Luís Mira, secretário-geral da CAP, que afirmou na passada semana que as pessoas são contra as estufas de Odemira, mas depois querem tomate cherry.
“Como quem diz que quem quiser agricultura em Portugal terá de ser cúmplice do trabalho forçado e da exploração do trabalho migrante”, respondeu Catarina Martins, salientando que “queremos agricultura, direitos humanos e direitos do trabalho” e frisando que a escolha não pode ser “entre direitos humanos e economia”.
“O que fazemos é impor regras à economia para que ela respeite quem trabalha”, sublinhou a coordenadora bloquista, reafirmando o empenho do Bloco em conseguir uma política de imigração “que crie caminhos legais e a responsabilização criminal de toda a cadeia que ganha com a exploração dos trabalhadores migrantes, que estão numa situação de trabalho forçado”.
Falando sobre os trabalhadores migrantes presentes, a dirigente do Bloco contou que estes trabalhadores “foram recrutados por uma empresa no norte da Índia, tiveram de pagar a essa empresa, que lhes prometeu trabalho na Europa”, “pagaram aos recrutadores para poderem vir trabalhar”. “E, quando cá chegaram, foram postos a trabalhar sem os contratos de trabalho devidos para os sítios onde trabalham. Sempre intermediários e mais intermediários. Tantos intermediários a ganharem sempre o dinheiro que não é deles, roubando salários e condições a estes trabalhadores”, enfatizou.
E, defendeu o combate à longa cadeia de intermediários de mão de obra, através de uma política de imigração “que permita a estes trabalhadores entrarem no país com todas as condições, com um contrato de trabalho, com todas as condições de serem recrutados diretamente por quem precisa do seu trabalho”.
E também, uma segunda questão: “garantir que toda a gente que ganha dinheiro com a exploração destes trabalhadores é responsável criminalmente pelo trabalho forçado”. “Queremos responsabilizar toda a cadeia que ganha dinheiro à custa dos direitos humanos, à custa do abuso do trabalho”, frisou, a concluir.