Matteo Salvini e Giorgia Meloni eram as estrelas. O partido de Berlusconi veio atrelado com a presença de Antonio Tajani.
Foram centenas as pessoas que decidiram protestar esta terça-feira contra o governo nas ruas de Roma e desrespeitar as regras de distanciamento social e de uso de máscara num país altamente flagelado pelo novo coronavírus. Aliás, parte da tónica dos manifestantes era mesmo que o confinamento teria “limitado a liberdade”.
Salvini foi um dos que retirou a máscara. Mais interessado nas selfies do que nas medidas sanitárias do governo. Como desculpa alegou que “os peritos estão a dizer que o vírus está a morrer”. Quis assim aproveitar o dia da República Italiana para tentar fustigar o governo, exigindo a sua demissão, e voltar a temas velhos como um imposto único de 15%, uma redução da burocracia e uma reforma da justiça, nenhum dos quais aplicou quando esteve no governo. Aproveitou ainda para reforçar outra das suas obsessões: a imigração. Salvini manifestou-se contra a autorização temporária de residência concedida pelo governo em tempos de coronavírus a trabalhadores dos setores agrícola e dos serviços domésticos.
Nas redes sociais, muitos criticaram as violações das regras sanitárias. Alguns sublinharam que o dia da República não costumava ser um dos preferidos de Salvini, recordando-lhe como se reinventou de político que queria que a sua região fosse independente para pretenso chefe de fila do “nacionalismo”.
Um lugar que é disputado pela sua parceira de manifestação Giorgia Meloni. Enquanto Salvini desce nas intenções de voto, fruto também da sua incoerência na gestão da crise da covid-19, a líder do partido neo-fascista Irmãos de Itália é cada vez mais popular.
Roma não foi o único local para onde estavam convocadas manifestações da extrema-direita. Havia mais de cem convocatórias. E até para Milão, capital de uma das regiões mais atingidas pela pandemia.
Em Itália, dois de junho é feriado nacional. O dia da República comemora a criação da República depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Neste país morreram 33.530 pessoas devido à covid-19 e houve 233.515 pessoas infetadas.