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Salvini, o ex-separatista promove manifestações no dia da República

O líder da extrema-direita italiana foi a figura principal das manifestações contra o governo no dia da República. Os seus críticos lembraram-lhe que antes defendia a independência da "Padânia" e que agora preferiu as selfies às medidas sanitárias.
Salvini tira uma selfie durante a manifestação do dia da República. Fonte: Twitter de Adriano Meis.
Salvini tira uma selfie durante a manifestação do dia da República. Fonte: Twitter de Adriano Meis.

Matteo Salvini e Giorgia Meloni eram as estrelas. O partido de Berlusconi veio atrelado com a presença de Antonio Tajani.

Foram centenas as pessoas que decidiram protestar esta terça-feira contra o governo nas ruas de Roma e desrespeitar as regras de distanciamento social e de uso de máscara num país altamente flagelado pelo novo coronavírus. Aliás, parte da tónica dos manifestantes era mesmo que o confinamento teria “limitado a liberdade”.

Salvini foi um dos que retirou a máscara. Mais interessado nas selfies do que nas medidas sanitárias do governo. Como desculpa alegou que “os peritos estão a dizer que o vírus está a morrer”. Quis assim aproveitar o dia da República Italiana para tentar fustigar o governo, exigindo a sua demissão, e voltar a temas velhos como um imposto único de 15%, uma redução da burocracia e uma reforma da justiça, nenhum dos quais aplicou quando esteve no governo. Aproveitou ainda para reforçar outra das suas obsessões: a imigração. Salvini manifestou-se contra a autorização temporária de residência concedida pelo governo em tempos de coronavírus a trabalhadores dos setores agrícola e dos serviços domésticos.

Nas redes sociais, muitos criticaram as violações das regras sanitárias. Alguns sublinharam que o dia da República não costumava ser um dos preferidos de Salvini, recordando-lhe como se reinventou de político que queria que a sua região fosse independente para pretenso chefe de fila do “nacionalismo”.

Um lugar que é disputado pela sua parceira de manifestação Giorgia Meloni. Enquanto Salvini desce nas intenções de voto, fruto também da sua incoerência na gestão da crise da covid-19, a líder do partido neo-fascista Irmãos de Itália é cada vez mais popular.

Roma não foi o único local para onde estavam convocadas manifestações da extrema-direita. Havia mais de cem convocatórias. E até para Milão, capital de uma das regiões mais atingidas pela pandemia.

Em Itália, dois de junho é feriado nacional. O dia da República comemora a criação da República depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Neste país morreram 33.530 pessoas devido à covid-19 e houve 233.515 pessoas infetadas.

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