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Sábado há protesto em Lisboa pelo fim do genocídio do povo Hazara no Afeganistão

Comunidade Hazara de Portugal junta-se este sábado, 8 de outubro, no Rossio, em Lisboa, entre as 15h e as 17h, ao movimento global #StopHazaraGenocide para alertar o mundo e impedir o genocídio em curso.

A organização da iniciativa sublinha que, “como uma minoria reconhecida, o povo Hazara do Afeganistão tem sido maltratado e massacrado pelo estado afegão desde a década de 1880 por causa da sua identidade étnica distinta”.

A série de assassinatos sistemáticos e migração forçada do povo Hazara da sua terra natal ancestral permaneceu em grande parte não relatada; e os perpetradores nunca foram levados à justiça”, lamenta a comunidade Hazara de Portugal.

“Com os talibãs de volta ao poder desde agosto de 2021, um genocídio ativo contra os Hazaras está em curso mais uma vez. Vamos unir-nos e ser a voz dos sem voz, condenar o genocídio e exigir justiça para todos”, continua a comunidade Hazara, apelando à mobilização.

"Pare o genocídio dos Hazara, não é crime ser xiita"

No passado sábado, mulheres afegãs protestaram nas ruas contra o genocídio dos Hazara após um atentado suicida em Cabul destinado a atingir meninas desta comunidade historicamente oprimida. De acordo com a Deutsche Welle, centenas de estudantes, na sua maioria jovens mulheres do grupo étnico Hazara, estavam a fazer testes em preparação para os exames universitários na área de Dasht-e-Barchi na sexta-feira quando ocorreu o atentado suicida. O bairro ocidental é um enclave predominantemente muçulmano xiita e lar da comunidade minoritária Hazara. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) assinalou que foram mortas no ataque suicida pelo menos 35 pessoas e mais de 80 ficaram feridas.

"Pare o genocídio dos Hazara, não é crime ser xiita", gritaram cerca de 50 mulheres, enquanto marchavam em frente a um hospital em Dasht-e-Barchi, onde várias vítimas do ataque estavam a ser tratadas. Vestidas com hijabs pretos e lenços na cabeça exigidos pelos talibãs, as mulheres ostentaram faixas que diziam "Pare de matar Hazaras". As mulheres afegãs denunciaram ser alvo de violência durante a manifestação por parte dos soldados talibãs fortemente armados e afirmaram que vários jornalistas que cobriam os protestos foram espancados e as suas câmaras confiscadas.

O grupo de direitos humanos Amnistia Internacional, citado pela France 24, disse que o ataque de sexta-feira foi "um lembrete vergonhoso da inaptidão e fracasso total dos talibãs, como autoridades de facto, em proteger o povo do Afeganistão".

Em maio do ano passado, antes do retorno dos talibãs ao poder, pelo menos 85 pessoas da comunidade Hazara, principalmente meninas, foram mortas e cerca de 300 ficaram feridas quando três bombas explodiram perto da sua escola em Dasht-e-Barchi.

A Forbes recorda ainda que, em agosto deste ano, o Estado Islâmico-Província de Khorasan (IS-K), afiliada regional do Estado Islâmico, reivindicou a responsabilidade por vários ataques que resultaram em mais de 120 mortes em poucos dias.

Um relatório de um inquérito parlamentar britânico sobre a situação dos Hazara no Afeganistão, publicado em 2 de setembro de 2022, alerta que, como minoria religiosa e étnica, os Hazara correm sério risco de genocídio nas mãos do IS-K e dos talibãs. E responsabiliza todos os Estados pela proteção dos Hazara e prevenção de um possível genocídio, sob a Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio (a Convenção do Genocídio) e o direito internacional consuetudinário.

O relatório assinala que, “quando os talibãs assumiram o controlo do Afeganistão em 2021”, a situação dos Hazara degradou-se, revertendo-se “o progresso de 20 anos feito para lidar com a marginalização e a discriminação sofridas por esse grupo minoritário”.

“Há uma necessidade premente de fornecer proteção à comunidade, de acordo com as obrigações internacionais sob a Convenção do Genocídio”, lê-se no documento.

Logo após a divulgação do relatório, a Human Rights Watch (HRW) relatou a terrível situação dos Hazara no Afeganistão. De acordo com a HRW, “desde que os talibã assumiram o controlo do Afeganistão em agosto de 2021, [o IS-K] assumiu a responsabilidade por 13 ataques contra os Hazaras e foi associado a, pelo meno,s mais três, matando e ferindo pelo menos 700 pessoas”.

A HRW acrescenta que “as autoridades dos talibãs pouco fizeram para proteger essas comunidades de atentados suicidas e outros ataques ilegais ou para fornecer cuidados médicos necessários e outra assistência às vítimas e suas famílias”.

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