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Afegãs voltam a manifestar-se, talibãs respondem com violência

Exigiam “comida, trabalho e liberdade” um ano depois da tomada de Cabul pelos talibãs ter resultado numa crise humanitária, na proibição do seu acesso ao ensino secundário, da possibilidade de fazer viagens longas sem acompanhamento masculino, na exclusão de muitas profissões e na obrigatoriedade de cobrir a face em público.
Mulheres afegãs manifestam-se em Cabul este sábado. Imagem do Twitter.
Mulheres afegãs manifestam-se em Cabul este sábado. Imagem do Twitter.

Tiros para o ar, coronhadas e outras agressões foram os meios utilizados este sábado pelas autoridades talibãs para dispersar uma manifestação organizada por mulheres em Cabul para exigir direito ao trabalho, à educação e liberdade de movimentos e para protestar contra a situação de fome que se vive no Afeganistão.

Perto de 40 afegãs saíram às ruas num protesto pacífico perto do edifício do Ministério da Educação com palavras de ordem como “comida, trabalho e liberdade” ou “justiça, justiça, estamos fartas de ignorância”. A resposta dos talibãs foi visível em vários vídeos publicados nas redes sociais, em que se veem a disparar para o ar e agredir à coronhada as mulheres. A agência noticiosa francesa AFP relata que também houve jornalistas agredidos.

À correspondente da Deutsche Welle, Sandra Petersmann, Zholia Parsi, uma das organizadoras do protesto confirmou que “infelizmente, os talibãs dos serviços secretos vieram e dispararam para o ar”, “dispersaram as raparigas, rasgaram as nossas faixas e confiscaram os telemóveis de muitas”.

A ativista disse também que “se os talibãs querem silenciar esta voz, não é possível. Protestaremos a partir de casa”. Só que as autoridades atualmente no poder no Afeganistão têm mesmo tentado silenciar as mulheres. Depois dos primeiros protestos logo a seguir à tomada do poder, as organizadoras das manifestações têm vindo a ser presas.

Esta manifestação acontece nas vésperas da passagem de um ano da tomada de Cabul pelos talibãs na sequência da derrocada do governo apoiado pelos EUA e da retirada das tropas deste país que estavam no Afeganistão a sustentar o regime. Então, as declarações dos responsáveis pelo movimento garantiam respeito pelas mulheres mas a realidade desmentiu a promessa: o ensino secundário foi-lhe vedado, assim como o acesso a muitas profissões, o direito de viajar limitado, com a proibição de viajarem sozinhas em deslocações mais longas, decretada a obrigatoriedade de cobrir a face em público.

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