Pelo menos 88 voos da Ryanair com origem ou destino no aeroporto de Charleroi, entre segunda e terça-feira, foram já cancelados devido a uma greve dos pilotos belgas, afetando entre 15.000 a 20.000 passageiros.
Estes pilotos queixam-se da “intransigência” da direção da empresa em matérias como o desrespeito dos tempos de descanso e exigem um regresso aos níveis salariais pré-pandemia. Os trabalhadores, confrontados com paragem radical da atividade devido à Covid-19, tinham nessa altura aceitado uma redução na remuneração que seria de 50% para a direção, 20% para os pilotos e 10% para o restante pessoal. Desde o início de 2022 que a direção restituiu o seu nível salarial, o mesmo aconteceu no verão do ano passado para o pessoal de cabine da empresa na Bélgica. Para trás, queixam-se, ficaram os pilotos. Perto de 40 deles já avançaram para tribunal, exigindo pagamentos com retroativos.
A situação piorou em junho com o anúncio de um novo ritmo de trabalho que será iniciado em outubro. Os pilotos dizem que este passará a ser mais apertado e com menos dias de repouso.
Assim, é a terceira vez que paralisam em pouco tempo, depois de terem feito greves nos fins de semana de 15/16 de julho, cancelando 120 voos, e de 29/30 do mês passado, cancelando mais de 90 dos voos.
Nos Açores, Ryanair quer subsídios públicos ou reduz operação
Este sábado, o Açoriano Oriental trazia em manchete a notícia: "Ryanair vai reduzir 156 mil lugares nos voos para os Açores". As contas feitas pelo jornal apontam para o plano de uma drástica redução de lugares na operação da empresa low-cost para o arquipélago dos 231 mil de 2022 para 75 mil este ano.
A empresa, que explora ligações para São Miguel e para a Terceira, pretende reduzi-las a partir do próximo mês de outubro, justificando a decisão com o aumento de 4,3% nas taxas aeroportuárias da região autónoma decidida pela ANA.
Trata-se de uma estratégia negocial com o governo regional já que aquilo que a Ryanair quer, no fundo, é um reforço de subsídios por parte do governo regional para compensar esta subida. Na linguagem empresarial, Elena Cabrera, gestora da empresa para Portugal e Espanha, dizia ao DN/Dinheiro Vivo no início do mês passado que era questão de “partilha de risco” para uma empresa que “se não tem os números para continuar a voar pegamos na operação e vamos para outra região mais atrativa para nós”. Para ela, “se uma região quer a conexão tem de aceitar partilhar o risco e tem de ajudar a companhia”.
A argumentação não será forte mas é bastante para o dinheiro público lhe continuar a chegar. Desde 2015, a empresa já recebeu mais de 1,5 milhões de euros do governo regional revela a mesma fonte. Fruto de sete contratos que se podem encontrar no Portal Base com pagamentos do governo regional e da Associação de Turismo dos Açores.