Ryanair: greve na Bélgica, corte nos Açores

15 de agosto 2023 - 11:15

Os pilotos belgas tinham concordado reduzir o salário em 20% na altura da pandemia, a lowcost continua com o corte salarial desde então. Dos Açores, a empresa pretende mais subsídios, depois de já ter embolsado mais de 1,5 milhões desde 2015, ou ameaça um corte radical no voos na região.

PARTILHAR
Avião da Rayanair em Charleroi. Foto de Luc Coekaerts/Flickr.
Avião da Rayanair em Charleroi. Foto de Luc Coekaerts/Flickr.

Pelo menos 88 voos da Ryanair com origem ou destino no aeroporto de Charleroi, entre segunda e terça-feira, foram já cancelados devido a uma greve dos pilotos belgas, afetando entre 15.000 a 20.000 passageiros.

Estes pilotos queixam-se da “intransigência” da direção da empresa em matérias como o desrespeito dos tempos de descanso e exigem um regresso aos níveis salariais pré-pandemia. Os trabalhadores, confrontados com paragem radical da atividade devido à Covid-19, tinham nessa altura aceitado uma redução na remuneração que seria de 50% para a direção, 20% para os pilotos e 10% para o restante pessoal. Desde o início de 2022 que a direção restituiu o seu nível salarial, o mesmo aconteceu no verão do ano passado para o pessoal de cabine da empresa na Bélgica. Para trás, queixam-se, ficaram os pilotos. Perto de 40 deles já avançaram para tribunal, exigindo pagamentos com retroativos.

A situação piorou em junho com o anúncio de um novo ritmo de trabalho que será iniciado em outubro. Os pilotos dizem que este passará a ser mais apertado e com menos dias de repouso.

Assim, é a terceira vez que paralisam em pouco tempo, depois de terem feito greves nos fins de semana de 15/16 de julho, cancelando 120 voos, e de 29/30 do mês passado, cancelando mais de 90 dos voos.

Nos Açores, Ryanair quer subsídios públicos ou reduz operação

Este sábado, o Açoriano Oriental trazia em manchete a notícia: "Ryanair vai reduzir 156 mil lugares nos voos para os Açores". As contas feitas pelo jornal apontam para o plano de uma drástica redução de lugares na operação da empresa low-cost para o arquipélago dos 231 mil de 2022 para 75 mil este ano.

A empresa, que explora ligações para São Miguel e para a Terceira, pretende reduzi-las a partir do próximo mês de outubro, justificando a decisão com o aumento de 4,3% nas taxas aeroportuárias da região autónoma decidida pela ANA.

Trata-se de uma estratégia negocial com o governo regional já que aquilo que a Ryanair quer, no fundo, é um reforço de subsídios por parte do governo regional para compensar esta subida. Na linguagem empresarial, Elena Cabrera, gestora da empresa para Portugal e Espanha, dizia ao DN/Dinheiro Vivo no início do mês passado que era questão de “partilha de risco” para uma empresa que “se não tem os números para continuar a voar pegamos na operação e vamos para outra região mais atrativa para nós”. Para ela, “se uma região quer a conexão tem de aceitar partilhar o risco e tem de ajudar a companhia”.

A argumentação não será forte mas é bastante para o dinheiro público lhe continuar a chegar. Desde 2015, a empresa já recebeu mais de 1,5 milhões de euros do governo regional revela a mesma fonte. Fruto de sete contratos que se podem encontrar no Portal Base com pagamentos do governo regional e da Associação de Turismo dos Açores.