Esta sexta-feira, iniciou-se uma greve de cinco dias dos tripulantes de cabine da Easyjet. Será a terceira desde abril para reivindicar condições de trabalho semelhantes às dos trabalhadores de outros países.
Em comunicado, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil lamenta “profundamente que a empresa continue a considerar que um FA [flight attendant, ou seja tripulante de cabine] português deva receber, no fim dos três anos de aumentos, menos 90% de salário base do que um colega francês”. Por isso, a 6 de julho, 90% dos trabalhadores chumbaram a proposta a apresentada pela empresa. O presidente deste sindicato, Ricardo Penarroias, critica o facto de a empresa “ter um budget para greves mas não para aumentos salariais”.
A dirigente sindical Diana Dias, à RTP, informou que a adesão ronda os 100%, que “os voos que estão a sair, que podemos ver no quadro, são operados por colegas da rede que não são afetados pela greve” e que, para além dos voos dos serviços mínimos decretados, só saíram voos “operados pelas chefias”. Isto depois de a empresa ter, depois de conhecido o pré-aviso de greve, cancelado “346 voos, cerca de 70 por cento da operação”.
Ryanair escreve a clientes para assinarem petição anti-greve
Por sua vez, o Libération dá conta, também esta sexta-feira, que a Ryanair tem reagido às greves dos controladores aéreos por causa das reformas das pensões em França com o envio de mails a clientes para que assinem uma petição anti-grevista dirigida à Comissão Europeia.
O jornal apresenta o exemplo da atriz Dominique Vital, que esta terça-feira recebeu esse contacto da empresa com a qual só voou uma vez, instigando-a a assinar o texto que indica que as “greves repetidas dos controladores aéreos” levaram à anulação de milhares de voos na União Europeia” e “exigindo que todos os Estados da UE protejam os voos" durante as greves dos controladores aéreos.
Não se sabe quantos dos clientes da empresa receberam este mail. O que se sabe é que por detrás da ideia de “proteção” dos voos está a tentativa de atacar o direito à greve. Como escreve o portal Révolution Permanente ao noticiar estes factos: “esta formulação esconde na realidade uma exigência bem precisa: forçar os controladores aéreos a prevenir antecipadamente a hierarquia que vão fazer greve, permitindo assim às companhias poder adaptar-se às greves para reduzir o impacto. Esta obrigação, que já atinge alguns setores como os ferroviários em França, é uma arma formidável contra o direito à greve, reduzindo o poder de negociação dos grevistas”.
Estes envios de mail também foram denunciados por algumas pessoas nas redes sociais.
Ryanair qui envoie un mail aux passagers pour qu’on signe une pétition anti-grève !
Déjà vous payez vos salariés une misère et en plus vous voulez nous associez à votre politique degueulasse. Ici on soutient les grévistes pic.twitter.com/Boiizo5B2b
— RL (@Erellux) July 18, 2023