Greve na Easyjet começa, Ryanair pressionou clientes a assinar petição

21 de julho 2023 - 12:25

Os tripulantes de cabine da Easyjet começam uma greve de cinco dias com níveis de adesão perto dos 100%. Outra companhia aérea "low-cost", a Ryanair, está em campanha contra o direito à greve enviando mails aos seus clientes para assinar uma petição.

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Easyjet e Ryanair. Foto de Dylan Agbagni/Flickr.
Easyjet e Ryanair. Foto de Dylan Agbagni/Flickr.

Esta sexta-feira, iniciou-se uma greve de cinco dias dos tripulantes de cabine da Easyjet. Será a terceira desde abril para reivindicar condições de trabalho semelhantes às dos trabalhadores de outros países.

Em comunicado, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil lamenta “profundamente que a empresa continue a considerar que um FA [flight attendant, ou seja tripulante de cabine] português deva receber, no fim dos três anos de aumentos, menos 90% de salário base do que um colega francês”. Por isso, a 6 de julho, 90% dos trabalhadores chumbaram a proposta a apresentada pela empresa. O presidente deste sindicato, Ricardo Penarroias, critica o facto de a empresa “ter um budget para greves mas não para aumentos salariais”.

A dirigente sindical Diana Dias, à RTP, informou que a adesão ronda os 100%, que “os voos que estão a sair, que podemos ver no quadro, são operados por colegas da rede que não são afetados pela greve” e que, para além dos voos dos serviços mínimos decretados, só saíram voos “operados pelas chefias”. Isto depois de a empresa ter, depois de conhecido o pré-aviso de greve, cancelado “346 voos, cerca de 70 por cento da operação”.

Ryanair escreve a clientes para assinarem petição anti-greve

Por sua vez, o Libération dá conta, também esta sexta-feira, que a Ryanair tem reagido às greves dos controladores aéreos por causa das reformas das pensões em França com o envio de mails a clientes para que assinem uma petição anti-grevista dirigida à Comissão Europeia.

O jornal apresenta o exemplo da atriz Dominique Vital, que esta terça-feira recebeu esse contacto da empresa com a qual só voou uma vez, instigando-a a assinar o texto que indica que as “greves repetidas dos controladores aéreos” levaram à anulação de milhares de voos na União Europeia” e “exigindo que todos os Estados da UE protejam os voos" durante as greves dos controladores aéreos.

Não se sabe quantos dos clientes da empresa receberam este mail. O que se sabe é que por detrás da ideia de “proteção” dos voos está a tentativa de atacar o direito à greve. Como escreve o portal Révolution Permanente ao noticiar estes factos: “esta formulação esconde na realidade uma exigência bem precisa: forçar os controladores aéreos a prevenir antecipadamente a hierarquia que vão fazer greve, permitindo assim às companhias poder adaptar-se às greves para reduzir o impacto. Esta obrigação, que já atinge alguns setores como os ferroviários em França, é uma arma formidável contra o direito à greve, reduzindo o poder de negociação dos grevistas”.

Estes envios de mail também foram denunciados por algumas pessoas nas redes sociais.