“Há aqui grandes dúvidas, mas há uma coisa que podemos tirar já de imediato: um despedimento coletivo precisa de uma situação financeira frágil para o sustentar. Por isso, a partir de agora, deixou de existir essa pressão”, afirmou Camilo Azevedo, da Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP, em declarações à agência Lusa.
Camilo Azevedo reagia assim aos dados avançados pelo Diário Económico, segundo o qual a RTP “lucrou cerca de 41 milhões de euros no ano passado, sobretudo devido a efeitos irrepetíveis como o não-pagamento dos dois subsídios aos trabalhadores e operações financeiras”.
O representante da CT, lembrando que, “apesar de a CT ter pedido, os balancetes trimestrais nunca foram entregues”, sublinhou, contudo, que “a massa salarial da empresa não corresponde aos 40 milhões”. “Os dois meses [subsídio de férias e subsídio de Natal, que não foram pagos em 2012] correspondem a muito menos”, frisou.
Camilo Azevedo mostrou-se surpreendidos com os números avançados, tendo em conta que durante o ano os trabalhadores da empresa foram “confrontados com várias notícias” que davam conta do contrário.
“A empresa ia pedir um empréstimo para financiar as rescisões. Como é que uma administração agora aparece com lucros, dizendo durante o ano que não existe dinheiro para as rescisões? Qual a razão para o canal 2 ter estado à mingua de financiamento para ter programação, e está com aquelas audiências irrelevantes?”, interrogou.
Segundo o representante da CT da RTP, os números hoje conhecidos “tiram sustentabilidade ao plano de reestruturação que foi entregue [ao Governo] no fim do ano e que foi apresentado pelo ex-ministro [responsável pela pasta da Comunicação Social] Miguel Relvas” (ler artigo "RTP: Governo adia privatização e quer despedir centenas de trabalhadores").