"Relvas quer conduzir a RTP para o abismo"

09 de março 2013 - 1:39

Catarina Martins reuniu com sindicatos, Comissão de Trabalhadores e administração da RTP e saiu "profundamente preocupada" por verificar que "o Governo não tem nenhum projeto para a RTP". A coordenadora bloquista defende que Miguel Relvas seja afastado do processo de reestruturação da RTP.

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Foto Paulete Matos

"Tudo o que o Governo está a fazer é endividar a RTP para criar mais desemprego, ao pedir um empréstimo para rescindir contratos e fazer despedimentos", afirmou Catarina Martins aos jornalistas no fim da ronda de encontros com trabalhadores, sindicatos  e administração da empresa.

A coordenadora bloquista fez duras críticas ao ministro Miguel Relvas, acusaando-o de não ter "nenhum projeto para o serviço público". "O seu projeto foi desde o primeiro dia privatizar a RTP. A partir do momento em que esse projeto foi adiado, por não ter encontrado condições políticas para avançar, o que decidiu foi destruir a RTP", acrescentou Catarina Martins.

Nas reuniões que manteve esta sexta-feira, Catarina Martins constatou que continua em cima da mesa cortar mais 30 milhões de euros em 2014 na RTP "e a grande fatia desse corte, na perspetiva do Governo - e a administração não mostrou que tivesse outra - através de despedimentos".

"Existe uma única ideia que é cortar e cortar muito, o que passa por despedimentos. Temos esta situação completamente incompreensível de ir endividar uma empresa pública para ela ir criar desemprego. Todo o projeto que existe é fazer um empréstimo à banca para rescisões e despedimentos na RTP", prosseguiu a deputada bloquista.

Para a deputada bloquista, Miguel Relvas "quer conduzir a RTP para o abismo" e deve ser afastado deste processo o quanto antes. O corte anunciado "é brutal", diz a deputada e representa também "uma angústia grande na vida dos trabalhadores e prejuízo também para os telespetadores que se vêem com informação e programação de menor qualidade", continuou Catarina Martins, sublinhando a ausência de debate sobre o serviço público de rádio e televisão. E criticou ainda a proposta de fusão das redações da RTP e da Antena 1, o final do programa cultural "Onda Curta" ou a limitação da linguagem gestual aos noticiários da meia-noite, porque assim as pessoas que não ouvem "só sabem as notícias no final do dia".

"É por isso que o ministro Miguel Relvas é o menos aconselhável para dirigir este processo, nunca quis saber do serviço público e está à vista que continua na senda da destruição da RTP", concluiu.