A ordem de serviço publicada esta sexta-feira pela administração veio recordar os trabalhadores de uma outra, emitida em julho de 2003, estabelecendo a "obrigação de não divulgar informações referentes à organização, métodos de trabalho, negócios e atividades da empresa" ou "assuntos relacionados com a vida da empresa e com a situação profissional de todas as pessoas ou entidades que com ela colaboram".
A mensagem da administração nomeada por Miguel Relvas é dirigida em particular às "inúmeras declarações públicas proferidas por quem não tem legitimidade para tal" e que agora ficarão sujeitas "à aplicação das sanções que no caso se mostrem adequadas". Há dez anos, quando a ordem de serviço foi emitida, a empresa atravessava uma reestruturação, que viria a juntar as redações e funcionários da rádio e televisão na mesma sede em Lisboa.
Comissão de Trabalhadores exige ter voz na reestruturação
Também em comunicado divulgado esta sexta-feira, a Comissão de Trabalhadores da RTP voltou a exigir que seja cumprida a lei que obriga a administração a ouvi-la no processo em curso, até porque acreditam que "o plano de reestruturação não vai cair do céu no dia 1 de março".
A CT recapitula algumas das propostas já feitas e que têm sido ignoradas pela gestão que esta semana lançou um "pedido de ajuda" à sociedade civil para dar sugestões sobre a "gestão sustentável" da empresa. Os trabalhadores propõem "cortar radicalmente em gastos supérfluos", como o fim dos cartões de crédito da estrutura, da frota de carros de função e das "mordomias associadas (combustível, portagens, etc. pagos pela empresa para veículos que não são de serviço)". Querem também rever todos os contratos com empresas externas que fazem trabalhos que a RTP pode fazer e rever o modo de imputação de custos para o sistema usado pela BBC, já que atualmente são imputados à RTP1 os custos de outros canais. "Se esses canais, no papel, nada custarem, o Governo nada pagará por eles", lembram os trabalhadores.
Outras propostas para viabilizar a empresa pública de televisão são a manutenção do financiamento da RTP África, da RTP Internacional, da RDP África, da RDP Internacional e cooperação, bem como da gestão de arquivo, todos financiados pela indemnização compensatória. Os trabalhadores rejeitam o endividamento de 42 milhões de euros para financiar rescisões e despedimentos. "Ou as receitas da publicidade continuam livres de hipotecas e disponíveis para fazer boa rádio e boa televisão - já agora, recuperando as audiências que definham - ou, a contrair-se algum crédito, que seja para investir na modernização tecnológica da empresa", defende a CT.