Lutas

“Nem Silêncio, Nem Medo”: Marcha do Orgulho LGBTI+ prometeu lutar contra o retrocesso

06 de junho 2026 - 19:23

Numa altura em que a maioria parlamentar de direita ataca os direitos sociais conquistados nas últimas décadas, a 27ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa contou com grande adesão este sábado.

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Marcha do Orgulho LGBTI+ em Lisboa.
Marcha do Orgulho LGBTI+ em Lisboa. Foto de António Pedro Santos/Lusa

A 27ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa voltou a juntar dezenas de milhares de pessoas na tarde de sábado entre o Marquês de Pombal e o Terreiro do Paço, num percurso em clima de festa animada ao som da Colombina Clandestina, dos Ritmos de Resistência e do Baque Mulher Lisboa.

Marcha do Orgulho LGBTI+ em Lisboa
Marcha do Orgulho LGBTI+ em Lisboa. Foto de Tiago Teixeira

Sob o lema “Nem Silêncio, Nem Medo: Existimos e Resistimos”, a edição deste ano acontece num momento em que a maioria de direita na Assembleia da República acaba de promover uma inédita reversão dos direitos LGBTQIA+, em especial os das pessoas trans com a revogação da lei de autodeterminação de género, e em que pela primeira vez em várias décadas a cidade de Lisboa não terá o Arraial Pride no mês das festas da cidade.

Também por esta razão, “a importância desta manifestação é incontestável e símbolo de orgulho e de luta da comunidade, das suas famílias e pessoas aliadas”, afirmou a organização da marcha, composta por 17 associações e coletivos.

“Esta é a primeira marcha LGBTI+ num contexto em que os direitos estão a recuar”

A dirigente bloquista Joana Mortágua participou na 27ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa e sublinhou que este é o momento para lutar por todos os direitos sociais que o Governo está a ameaçar. “Quando nos juntamos a esta marcha, dizemos que ainda estamos aqui e é preciso lutar por todos os direitos sociais em toda esta diversidade”, disse.

“Quando o Bloco entrou no Parlamento, a vida destas pessoas, de uma parte tão importante da sociedade, era considerado um tabu político e na sociedade. Nos últimos 25 anos, Portugal passou de ser um país atrasado e retrógrado para ser um país que tem leis modernas que reconhecem direitos a todas as pessoas”, recordou Joana Mortágua, sublinhando que “esta é a primeira marcha num contexto em que os direitos estão ameaçados e efetivamente a recuar”.

“Temos um governo com uma agenda anti-social e ultraconservadora que apanhou a via da extrema-direita”, prosseguiu a dirigente do Bloco, enunciando os retrocessos que a maioria parlamentar de direita tem tentado, e nalguns casos conseguido, aprovar: “proíbem que se hasteiem bandeiras da comunidade LGBT, retiram direitos aos jovens trans, tentam atacar direitos dos jovens LGBT nas escolas, mas também atacam as leis do trabalho e os direitos das mulheres trabalhadoras, as leis de igualdade e que procuram tirar as pessoas da pobreza”.

“Agora até às prestações para os órfãos o Governo conseguiu arranjar uma forma de propor um corte”, afirmou Joana Mortágua, referindo-se às regras da Prestação Social Única que o Governo quer aprovar nas próximas semanas.