“Na RTP está a ser feito terrorismo empresarial”, diz CT

31 de janeiro 2013 - 15:25

O porta-voz da CT da RTP denunciou que a entrevista do presidente da empresa, Alberto da Ponte, onde colocou a hipótese de vir a ser feito um despedimento coletivo na empresa, é “terrorismo empresarial”. A CT anunciou também a “intenção de impugnar judicialmente a reestruturação que foi preparada, ‘durante muitos meses’, de forma ilegal e clandestina”.

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“A entrevista pareceu-me mais uma atitude de terrorismo empresarial em que se agita o medo e o espetro do despedimento coletivo para assustar os trabalhadores da RTP e inquietar o seu público”, declarou o porta-voz da CT da RTP - Foto de Paulete Matos

Nesta quinta feira, Alberto da Ponte, presidente da RTP nomeado pelo ministro Miguel Relvas, considerou que a empresa "pode estar sobredimensionada" no número de trabalhadores, que já tem 50 pedidos de rescisão amigável e que não exclui a possibilidade de um despedimento coletivo.

“A entrevista pareceu-me mais uma atitude de terrorismo empresarial em que se agita o medo e o espetro do despedimento coletivo para assustar os trabalhadores da RTP e inquietar o seu público”, declarou Camilo Azevedo, porta-voz da Comissão de Trabalhadores da RTP, à agência Lusa.

Camilo Azevedo refere: “Nós não conhecemos o projeto, não nos são dadas informações, por isso [dizer que a empresa está sobredimensionada] é uma opinião”. E acusa: “Esta administração, como a anterior, desde maio do ano passado que não informa a comissão de trabalhadores e, por isso, não é possível à CT exercer o seu direito de participação no processo de reestruturação”.

O porta-voz da CT da RTP afirma: “Em relação à RTP, tanto de rádio como de televisão, nós não aguentamos. Os trabalhadores há um ano que passam de crise em crise e não há trabalho ético e digno neste momento na televisão, que é explicar o que é que se quer, como é que se quer e quando é que se quer. Passamos de um cenário a outro como quem muda de roupa. Não pode ser”.

Camilo Azevedo critica ainda o facto de a administração ir endividar a empresa junto da banca em 42 milhões de euros para fazer a reestruturação e questiona: “Durante 10 anos, as receitas de publicidade serviram para pagar o endividamento anterior e, agora que as contas estavam saldadas, vamos endividar-nos novamente e endividar os portugueses?”

Entretanto, a CT da RTP anunciou a intenção de impugnar a reestruturação da empresa, imposta pelo governo e divulgada pelo ministro Relvas.

“A CT anuncia desde já a sua intenção de impugnar judicialmente a reestruturação que foi preparada, ‘durante muitos meses’, de forma ilegal e clandestina”, indicou a comissão em comunicado enviado à Lusa.

Os trabalhadores da RTP dizem que a reestruturação tem sido levada a cabo de forma “secreta”, “ajustada aos objetivos de quem conspira contra interesses vitais do público e dos trabalhadores”, e lembram que Passos Coelho, reconheceu que a reestruturação da RTP "já estava em curso".

Lembram também que Miguel Relvas disse na AR que a administração da RTP está a trabalhar no plano de reestruturação "há muitos meses" e que “esse plano está numa fase adiantada”.

A CT quis conhecer o plano de reestruturação, os órgãos e membros "encarregados de trabalhos da reestruturação", pediu à administração as propostas de reestruturação, mas não tem recebido informação.