Repressão na Síria já matou 2.200 pessoas

23 de agosto 2011 - 17:06

Avaliação é da ONU, cujo Conselho de Direitos Humanos aprovou nesta terça-feira uma nova comissão para investigar a repressão às manifestações. Líder palestiniano afirma que bombardeamentos de Latakia são crimes contra a Humanidade.

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Protesto em Damasco. Foto de syiriana2011, FlickR

A alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, avaliou que a repressão do governo de Bashar al-Assad contra as manifestações anti-governamentais já fizeram 2.200 mortos desde que começaram os confrontos em Março. “As forças de segurança continuam a usar a força excessiva, e utilizam artilharia pesada” contra os manifestantes, acrescentou.

O bombardeamento, ocorrido na semana passada, contra o acampamento de refugiados palestinianos de al-Ramel, em Latakia, matou pelo menos quatro pessoas e provocou a fuga de pelo menos 7.500 habitantes do local. Yasser Abed Rabbo, dirigente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e membro da Autoridade Palestiniana, disse que os bombardeamentos por artilharia terrestre e navios de guerra, que cercaram totalmente a cidade costeira, representam uma violência que constitui “crime contra a Humanidade”. A Autoridade Palestiniana pediu que Damasco proteja as vidas dos palestinianos. Há 472.109 refugiados palestinianos na Síria, segundo dados da ONU, a viver em “acampamentos de refugiados” que são, na verdade, bairros de lata.

Nova comissão de investigação

Uma nova comissão de investigação internacional independente sobre a violação dos direitos humanos na Síria foi esta terça-feira aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos, de 47 membros. A resolução foi apresentada pela União Europeia, Estados Unidos e os quatro países do Conselho Árabe – Arábia Saudita, Jordânia, Quatar, Kuwait. Na votação, 33 países disseram que sim à comissão, quatro votaram contra e houve nove abstenções.

Votaram contra a China, a Rússia e Cuba, uma vez que rejeitam aquilo a que chamam “qualquer intervenção na soberania ou integridade territorial" da Síria. A Líbia, ex-membro do Conselho e suspensa no início do ano, não pôde votar.