Reposição de subsídios de Natal e de férias só a partir de 2015 e de forma gradual

05 de abril 2012 - 0:45

Além de afirmar que os subsídios de Natal e de férias só serão repostos a partir de 2015 e de forma gradual, Passos Coelho veio ainda admitir esta quarta feira que pondera redistribuir estes subsídios pelos doze meses de rendimento. Bloco acusa primeiro ministro de querer promover a “desvalorização salarial”.

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Em entrevista à Rádio Renascença, Pedro Passos Coelho afirmou esta quarta feira que o governo só procederá à reposição do subsídio de Natal e de férias a partir de 2015 e que não será possível “repor esses subsídios automaticamente no dia seguinte, o que quer dizer que tem de haver um processo que nos vá permitindo ao longo do tempo repor esses subsídios”.

“Dificilmente o Estado conseguiria encaixar num ano a reposição de todo esse benefício", sublinhou o primeiro ministro, não adiantando qual será o grau de reposição nem o tempo que demorará a mesma a efetivar-se.

Pedro Passos Coelho esclareceu ainda que a redistribuição dos subsídios de férias e de Natal pelas doze mensalidades, proposta esta que foi publicamente defendida, em agosto de 2011, pelo conselheiro de Estado e ex-ministro do Trabalho e da Segurança Social e depois das Finanças, nos Governos PSD/CDS-PP, Bagão Félix, "é uma possibilidade".

Governo quer promover  “desvalorização salarial”

O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo reagiu às declarações de Pedro Passos Coelho defendendo que “ao imaginar que é possível incorporar o valor dos dois subsídios nas remunerações mensais de 12 meses, isso significa que não se está a fazer regressar os subsídios mas a fazer uma desvalorização do valor salarial, porque o salário é a remuneração mensal e a passagem de 14 para 12 meses significará isso, é um falso aumento salarial".

Segundo o dirigente bloquista esta estratégia é promovida, "ainda por cima, em 2015, ano de eleições".

O deputado do Bloco de Esquerda lembrou ainda que "o Governo disse que esta suspensão vigoraria durante o período em que estivesse em vigor este memorando de acordo e que isso terminaria em 2013", sendo que nunca foi afirmado que a reintrodução dos subsídios “seria feita de forma gradual".

As contradições nos discursos dos representantes governamentais são, segundo João Semedo, evidentes, contudo, "não é a primeira vez que o primeiro-ministro e outros membros de Governo com certos jogos de palavras acabam por não tornar claro decisões e o seu próprio pensamento político".