Em comunicado, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) acusa Nuno Crato de "quebra dos compromissos assumidos relativos às dotações do OE 2014 para o ensino superior e a absoluta e inédita falta de comunicação e explicação sobre o valor dos cortes posteriormente efetuados", bem como do "afastamento do CRUP no processo de reestruturação da Rede de Ensino Superior, negligenciando o trabalho há muito iniciado e já desenvolvido pelo Conselho neste domínio".
Segundo os reitores, na reunião realizada em agosto, o Ministério da Educação comprometeu-se com alguns pressupostos que foram agora desmentidos no texto do Orçamento de Estado que o Governo pretende aprovar.
"Face à generalizada falta de diálogo por parte do Governo", prossegue o comunicado, o presidente do CRUP apresentou a sua demissão na reunião realizada em Braga, mas os seus pares conseguiram demover António Rendas da sua intenção. O comunicado chama a atenção para a "situação particularmente grave que as universidades enfrentam", quer no que respeita à execução orçamental deste ano, quer ao próximo Orçamento, e denunciam uma "sistemática violação da autonomia universitária por parte do Governo".
Com a via do diálogo esgotada, o CRUP decidiu não só suspender os contactos com o Governo para tratar de matérias orçamentais, como também "suspender a participação em reuniões, com o Governo ou organismos regionais, sobre a reestruturação da Rede do Ensino Superior".
Os reitores reiteram que as universidades irão continuar a trabalhar para melhorar a qualidade do ensino, "apesar das graves consequências das iniciativas governamentais para o setor e, consequentemente, para o desenvolvimento e futuro do país".
Manifestação em Lisboa contra os cortes no Ensino Superior
A manifestação juntou cerca de mil estudantes que desfilaram entre o Largo Camões e a Assembleia da República. Os estudantes protestaram contra os sucessivos cortes orçamentais no Ensino Superior, que têm nos últimos anos afastado milhares de pessoas do acesso a este grau de ensino. A falta de resposta da Ação Social Escolar às carências cada vez maiores da população estudantil foi outro dos pontos principais do protesto estudantil.
"Só no ano lectivo passado, por dia existiam menos 6 estudantes a frequentar o Ensino Superior, sabendo nós que esta situação terá tendência a agravar-se", diz o apelo deste protesto, lembrando ainda que menos de metade (44%) dos estudantes que fizeram exames nacionais no 12º ano se candidataram depois a um lugar no Ensino Superior. "Ao contrário do ditado pela Constituição, actualmente são as famílias e não o Estado a garantirem e suportarem o funcionamento das instituições, através do pagamento de propinas e emolumento, denunciam.
"Estes estudantes estão aqui hoje a manifestar-se contra um orçamento que nós consideramos que vai aniquilar o serviço público de educação e as universidades”, afirmou a deputada bloquista Mariana Mortágua, que se juntou aos manifestantes em frente à Assembleia da República.