Redação do DN defende que despedimentos põem em causa a qualidade editorial do jornal

20 de junho 2014 - 23:48

Em plenário, a redação do Diário de Notícias aprovou um comunicado no qual “condena de forma veemente o despedimento coletivo que afetou 24 trabalhadores", salientando que este coloca em dúvida "a existência de um projeto editorial sólido e que garanta o futuro" do jornal. No documento, os trabalhadores lamentam ainda o fim da cobertura nacional deste órgão de comunicação social.

PARTILHAR
Foto de Isabel Cruz, Flickr.

Segundo os jornalistas, os despedimentos promovidos pelo grupo Controlinveste, põem em causa "a qualidade editorial do jornal".

O Plenário de Redação “lembrou e criticou o facto dos despedimentos significarem o fim da cobertura nacional do Diário de Notícias”, bem como “o desinvestimento em secções que seriam fundamentais para a qualidade de um jornal diário generalista e que seriam também estratégicas para ganhar espaço à concorrência”.

Os trabalhadores deste órgão de comunicação social afirmaram ainda que “a independência editorial do DN face a todos os poderes - nomeadamente aos representados no seu corpo acionista - é imperativa para a afirmação do jornal”. “A independência é não só um imperativo ético como também um imperativo de rentabilidade do DN, com o qual todos os trabalhadores e o próprio corpo acionista ganharão”, frisam.


Leia, na íntegra, o comunicado divulgado pelos trabalhadores do DN:

“A redação do Diário de Notícias reuniu-se esta sexta-feira para discutir o despedimento coletivo que afetou 24 trabalhadores do jornal. No final foi emitido o comunicado que se reproduz:

1- O Plenário de Redação condena de forma veemente o despedimento coletivo que afetou 24 trabalhadores do DN, destacando que o mesmo põe em causa a qualidade editorial do jornal. Os jornalistas consideram também que os despedimentos colocam em dúvida a existência de um projeto editorial sólido e que garanta o futuro do Diário de Notícias.

2- Os membros eleitos do Conselho de Redação transmitiram ao Plenário as informações recolhidas na reunião com a Administração, nomeadamente que os administradores garantem que os títulos do grupo vão continuar autónomos, que será reforçada a identidade dos mesmos, que os despedimentos eram "inevitáveis" e que não foram transmitidos ao Conselho de Redação os critérios de despedimento nessa mesma reunião.

3- Os jornalistas do Diário de Notícias consideraram insuficientes as informações prestadas pelo Conselho de Administração e lamentam que não se tenham procurado alternativas ao despedimento coletivo de trabalhadores.

4- O Plenário de Redação lembrou e criticou o facto dos despedimentos significarem o fim da cobertura nacional do Diário de Notícias, o desinvestimento em secções que seriam fundamentais para a qualidade de um jornal diário generalista e que seriam também estratégicas para ganhar espaço à concorrência, lamentando o ainda o fim da cobertura de determinadas áreas dentro das próprias secções.

5 - O Plenário de Redação considerou fundamental que a Direção do Diário de Notícias, em particular o seu diretor, transmita ao Conselho de Redação qual é o projeto editorial definido para o DN. Esta reunião já foi pedida pelos membros eleitos, que aguardam resposta do diretor.

6 - Os jornalistas lamentaram ainda o tratamento editorial que foi dado pelo Diário de Notícias aos despedimentos do grupo e criticaram o silêncio da direção nas páginas do jornal sobre o assunto.

7 - O Plenário de Redação do DN não compreende como o futuro pode passar pelo online, quando o que houve foi um desinvestimento na área com o despedimento de trabalhadores que tinham formação multimédia e a continuidade de tendência de redução da infografia. Foi também anotado que o "papel" continua a ser a principal fonte de rendimento da empresa, pelo que qualquer desinvestimento nesta área será autofágico.

8 - Num ponto que não colheu a unanimidade do Plenário (apenas a maioria), os trabalhadores exigiram à direção editorial que assuma também as suas responsabilidades na quebra de vendas e de qualidade do jornal, já que as razões externas não justificam tudo o que de negativo aconteceu ao jornal.

9 - Os trabalhadores afirmaram ainda que a independência editorial do DN face a todos os poderes - nomeadamente aos representados no seu corpo acionista - é imperativa para a afirmação do jornal. A independência é não só um imperativo ético como também um imperativo de rentabilidade do DN, com o qual todos os trabalhadores e o próprio corpo acionista ganharão

10 - Os jornalistas do Diário de Notícias ficaram de sugerir ao Conselho de Redação formas de luta que deem visibilidade ao protesto contra o despedimento coletivo.

O Plenário de Redação do Diário de Notícias

20 de junho de 2014”