Jornalistas protestam contra despedimentos no JN, DN, TSF e O Jogo

12 de junho 2014 - 0:29

Concentração será às 13 horas na frente no edifício do Diário de Notícias em Lisboa. Sindicato diz que despedimentos não podem “ser a única solução das administrações para resolver as dificuldades económicas”. Grupo de média mudara de donos em novembro do ano passado.

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Protesto será diante da sede do Diário de Notícias, em Lisboa. Foto de Thomas
Protesto será diante da sede do Diário de Notícias, em Lisboa. Foto de Thomas

Jornalistas de vários órgãos de comunicação social concentram-se esta quinta-feira, pelas 13h00, frente ao edifício do Diário de Notícias em Lisboa para protestar contra o anunciado despedimento coletivo de 140 trabalhadores no grupo Controlinveste.

Segundo disse à Lusa Sofia Lorena, do Público, a iniciativa surgiu de conversas entre jornalistas de vários órgãos de comunicação social, após ter sido conhecido, esta quarta-feira, que o grupo Controlinveste – detentor do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, TSF e Jogo, entre outros – vai despedir 140 trabalhadores e negociar a saída de mais 20.

A decisão foi justificada com a quebra de receitas e a necessidade de reduzir custos para "garantir a sustentabilidade do negócio" do grupo.

A concentração deve contar com a presença de trabalhadores da Controlinveste, que aproveitarão a pausa de almoço para se juntarem. A Comissão de Trabalhadores da Lusa também vai associar-se à ação e, em comunicado, apelou aos trabalhadores da agência para se juntarem ao protesto.

Sindicato repudia e faz plenários

Já esta quarta-feira, o Sindicato dos Jornalistas repudiou o anunciado despedimento, que deverá abranger 64 jornalistas, considerando que as saídas de trabalhadores comprometem a "capacidade operacional" do DN, do JN e da Global Imagens, "devido à erosão das suas redações descentralizadas e filiais", enquanto na rádio TSF "a estrutura da edição em linha será profundamente afetada".

“O SJ manifestou a sua preocupação com os efeitos da medida, não só sobre os trabalhadores e as suas famílias mas também para a necessária garantia de prestação de serviço ao público na quantidade e com a qualidade que lhe são devidas, pelo que defende que é necessário encontrar alternativas”, lê-se no comunicado de imprensa, em que o sindicato considera que os despedimentos não podem “ser a única solução das administrações para resolver as dificuldades económicas”.

A direção do SJ termina o comunicado a anunciar que, no sentido de proteger os trabalhadores, serão convocados plenários e outras iniciativas e apela à mobilização. Diz ainda que vai participar “ativamente” no processo de informações aos associados e nas negociações com a empresa, que se vão seguir.

Grupo mudou de dono em novembro

Recorde-se que o grupo Controlinveste, que antes era propriedade de Joaqim Oliveira, mudou de donos em novembro do ano passado. Através de um acordo assinado nas instalações do BCP em Lisboa, o empresário angolano António Mosquito Mbakassi, próximo do Presidente José Eduardo dos Santos, adquiriu uma posição acionista de 27,5%. no grupo; Oliveira ficou com outros 27,5% do capital, e o restante foi dividido por três novos acionistas: Luíz Montez, genro de Cavaco Silva, o BCP (que conta com forte presença de capital angolano) e o BES, cada um com 15%.

Daniel Proença de Carvalho foi convidado pelos novos acionistas para ser presidente não-executivo do conselho de administração. O conhecido advogado do mundo dos negócios portugueses é também presidente do conselho de administração da Zon Multimédia, onde Isabel dos Santos é a maior acionista, membro do conselho de remunerações do BES, tendo ainda sido presidente do conselho de administração da RTP e mandatário nacional da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República em 1996.

Em março, uma notícia do África Monitor afirmava que Mosquito é um testa-de-ferro de Isabel dos Santos, filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos.