Jornalistas de vários órgãos de comunicação social concentram-se esta quinta-feira, pelas 13h00, frente ao edifício do Diário de Notícias em Lisboa para protestar contra o anunciado despedimento coletivo de 140 trabalhadores no grupo Controlinveste.
Segundo disse à Lusa Sofia Lorena, do Público, a iniciativa surgiu de conversas entre jornalistas de vários órgãos de comunicação social, após ter sido conhecido, esta quarta-feira, que o grupo Controlinveste – detentor do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, TSF e Jogo, entre outros – vai despedir 140 trabalhadores e negociar a saída de mais 20.
A decisão foi justificada com a quebra de receitas e a necessidade de reduzir custos para "garantir a sustentabilidade do negócio" do grupo.
A concentração deve contar com a presença de trabalhadores da Controlinveste, que aproveitarão a pausa de almoço para se juntarem. A Comissão de Trabalhadores da Lusa também vai associar-se à ação e, em comunicado, apelou aos trabalhadores da agência para se juntarem ao protesto.
Sindicato repudia e faz plenários
Já esta quarta-feira, o Sindicato dos Jornalistas repudiou o anunciado despedimento, que deverá abranger 64 jornalistas, considerando que as saídas de trabalhadores comprometem a "capacidade operacional" do DN, do JN e da Global Imagens, "devido à erosão das suas redações descentralizadas e filiais", enquanto na rádio TSF "a estrutura da edição em linha será profundamente afetada".
“O SJ manifestou a sua preocupação com os efeitos da medida, não só sobre os trabalhadores e as suas famílias mas também para a necessária garantia de prestação de serviço ao público na quantidade e com a qualidade que lhe são devidas, pelo que defende que é necessário encontrar alternativas”, lê-se no comunicado de imprensa, em que o sindicato considera que os despedimentos não podem “ser a única solução das administrações para resolver as dificuldades económicas”.
A direção do SJ termina o comunicado a anunciar que, no sentido de proteger os trabalhadores, serão convocados plenários e outras iniciativas e apela à mobilização. Diz ainda que vai participar “ativamente” no processo de informações aos associados e nas negociações com a empresa, que se vão seguir.
Grupo mudou de dono em novembro
Recorde-se que o grupo Controlinveste, que antes era propriedade de Joaqim Oliveira, mudou de donos em novembro do ano passado. Através de um acordo assinado nas instalações do BCP em Lisboa, o empresário angolano António Mosquito Mbakassi, próximo do Presidente José Eduardo dos Santos, adquiriu uma posição acionista de 27,5%. no grupo; Oliveira ficou com outros 27,5% do capital, e o restante foi dividido por três novos acionistas: Luíz Montez, genro de Cavaco Silva, o BCP (que conta com forte presença de capital angolano) e o BES, cada um com 15%.
Daniel Proença de Carvalho foi convidado pelos novos acionistas para ser presidente não-executivo do conselho de administração. O conhecido advogado do mundo dos negócios portugueses é também presidente do conselho de administração da Zon Multimédia, onde Isabel dos Santos é a maior acionista, membro do conselho de remunerações do BES, tendo ainda sido presidente do conselho de administração da RTP e mandatário nacional da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República em 1996.
Em março, uma notícia do África Monitor afirmava que Mosquito é um testa-de-ferro de Isabel dos Santos, filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos.