A bordo do barco português da Global Sumud Flotilla, a expedição humanitária de barcos que pretende romper com o cerco israelita à chegada de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, Mariana Mortágua e Miguel Duarte fizeram um novo ponto de situação da missão e vincaram novamente os seus objetivos.
A coordenadora bloquista explicou que finalmente a Flotilha saiu da Tunísia, naquela que é uma operação com “muitos barcos” e “logisticamente muito exigente”, dificultada pelas autoridades tunisinas que “ficaram numa situação de tensão” depois dos ataques com drones a dois dos barcos, o que as levou agora a que “tivessem escoltado os nossos barcos e tivessem tido mais cuidado nos procedimentos burocráticos, administrativos e alfandegários”, atrasando assim a expedição.
Gaza
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Entretanto, estão a juntar-se barcos que vêm de outro porto na Tunísia e mais tarde ocorrerá o encontro com as embarcações provenientes de Itália e da Grécia, enquanto se prevê, nesta segunda etapa da missão, uma viagem direta até Gaza.
O ativista Miguel Duarte aproveitou esta ocasião para reforçar que “a par e passo com o que está a acontecer em Gaza, com o horror que se tem visto nas imagens que nos chegam da cidade de Gaza, é preciso não esquecer o que se passa também na Cisjordânia”.
Desta forma, recordou a cerimónia de aprovação de um plano de anexação de mais uma parte da Cisjordânia com novos colonatos com cerca de 3.400 casas a serem aprovados “explicitamente com o objetivo de prevenir qualquer tentativa de criação de um Estado palestiniano”. Isto, considera, “é mais um ataque à autodeterminação do povo palestiniano”, ao mesmo tempo que o genocídio em Gaza serve também “para esconder todos estes crimes que estão a acontecer na Cisjordânia”.
Para terminar, Mariana Mortágua tomou posição sobre as notícias mais recentes que dão conta que o governo português pretende, juntamente com outros países, reconhecer o Estado da Palestina “mediante certas condições que sabemos que serão muito dificilmente cumpridas, até porque Israel está determinado em inviabilizar qualquer existência do Estado da Palestina”.
A deputada lança pelo contrário o apelo que é “o mais básico e sensato” para que se reconheça “imediatamente e incondicionalmente o Estado da Palestina e que se apliquem sanções imediatamente a Israel”. Isto porque “a ideia do governo português de que ainda não é o momento de aplicar sanções é uma aberração” porque Gaza e a Cisjordânia estão sob ataque “e corremos o risco de não haver Palestina”.