No dia 23 de junho o Tribunal analisará se o Parque de Merendas da Comenda, na estrada Setúbal-Praia da Figueirinha, continuará usurpado, rodeado de redes e grades de ferro, ou se pelo contrário será também libertado das garras da SEVEN PROPERTIES, esse fundo imobiliário que nos últimos tempos foi vedando com rede e arame farpado, mais de 500 hectares(!) do Parque Natural.
Mas voltando ao último dia de maio de 2022. A capela de São Luis da Serra e o seu sítio são desfrutadas pela população da região do Parque Natural da Arrábida desde tempos imemoriais. Basta dizer que aqui, numa paisagem deslumbrante, se realiza ainda na primavera a primeira romaria de uma série que se prolonga por inúmeros locais e devoções até finais do verão.
O portão de acesso à capela e à serra de S. Luís foi aberto no dia 31 de maio, por ordem do Tribunal. Ao fundo à direita vê-se a capela em disputa.
Ao longo do século 20, para o qual temos mais informações, esta romaria de São Luis atraiu sempre multidões, com a parte religiosa, comes e bebes, bailes, orquestras, jogos e divertimentos, convívios. Além disso, a capela situa-se na encruzilhada de trilhos pedonais apreciados por caminhantes, associações e clubes que organizam passeios.
Assim, a SEVEN PROPERETIES acaba de ter uma dupla derrota em tribunal: não só foi considerado um esbulho ter mudado a fechadura da capela por duas vezes contra a vontade da paróquia, como foi obrigada a abrir o portão junto à estrada Setúbal-Azeitão, que dá acesso à capela e a percursos pedonais pela a serra de S. Luis, parte integrante do Parque Natural da Serra da Arrábida.
Este fundo imobiliário tem com objetivo reconstruir e comercializar algumas dezes de antigas casas em ruínas que existem espalhadas pelo Parque Natural, para as vender por preços astronómicos graças à sua localização privilegiada. Coisa que outros tentaram anteriormente, como o grande empresário Xavier de Lima, nas décadas passadas e recentes.

A SEVEN PROPERTIES, para não se dar por vencida, mantém cartaz intimidatório no portão.
A luta pela reconquista do parque Natural da Arrábida e do acesso popular às suas belezas e percursos vai ser longa e prolongada. Mas este maio e junho prometem.