Dieselgate

Quatro condenados por fraude nas emissões da Volkswagen

26 de maio 2025 - 14:22

Dez anos depois do escândalo da manipulação das emissões dos veículos a gasóleo, um tribunal alemã condenou quatro antigos diretores da Volkswagen, dois deles com pela efetiva.

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interior de veículo Volkswagen
Foto Dave Humphreys/Flickr

O escândalo da manipulação de emissões dos veículos a gasóleo do grupo Volkswagen, incluindo a Audi, Skoda e Porsche, rebentou em 2015. O fabricante automóvel usava um software que manipulava o resultado dos testes de óxidos de nitrogénio (NOx), para assim poder vendê-los como se fossem mais "limpos" do que na realidade eram.

Esta segunda-feira, o Tribunal Regional de Brunswick decidiu condenar quatro diretores da Volkswagen à época. O ex-responsável de desenvolvimento de motores a diesel, Jens Hadler, teve a condenação mais severa, com uma pena de quatro anos e meio de prisão, enquanto o ex-diretor de tecnologia de propulsão, Hanno Jelden, foi condenado a dois anos e sete meses de prisão. Ambos foram condenados a cumprir pena efetiva.

Com penas suspensas ficaram o antigo diretor de desenvolvimento  Heinz-Jakob Neusser, condenado a um ano e três meses de prisão, e o antigo diretor do departamento de tratamento de gases de escape, Thorsten D., condenado a um ano e dez meses.

Todos eles, concluiu o tribunal, estavam a par do esquema de manipulação de emissões que se manteve durante anos e afetou milhões de automóveis vendidos por aquelas marcas. A denúncia partiu da Agência de Proteção Ambiental dos EUA em 2015 e só cinco anos mais tarde é que o Tribunal de Justiça da UE declarou ilegal aquele software. Foi também em 2020 que a justiça alemã decretou que os compradores dos veículos afetados tinham direito a ser indemnizados. Só em multas e indemnizações, o grupo já pagou mais de 32 mil milhões de euros, sobretudo nos EUA.

O ex-presidente da direção do grupo Volkswagen, Martin Winterkorn, hoje com 78 anos, está a ser julgado num processo separado, entretanto suspenso devido a um acidente doméstico que o levou a alegar incapacidade permanente de comparecer em tribunal. Tanto ele como os restantes dirigentes do grupo alegaram sempre desconhecer aquela prática de manipulação de emissões. Outros quatro processos ligados ao dieselgate ainda decorrem, envolvendo 31 acusados.