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Pussy Riot condenadas a dois anos de prisão

As três jovens do grupo de intervenção punk Pussy Riot foram condenadas a dois anos de prisão. No veredicto, o tribunal considerou que as três arguidas “cometeram hooliganismo motivado por ódio religioso”. Este julgamento gerou uma onda de contestação a nível mundial a favor do grupo e da “liberdade de expressão”.
Foto de ekai, Flickr.

No veredito, a juíza do tribunal Khamovnitcheski de Moscovo considerou que as intérpretes do grupo punk, que no início do ano entraram encapuçadas na catedral ortodoxa do Cristo Salvador, em Moscovo, e cantaram uma "oração" punk, pedindo à Virgem Maria que protegesse a Rússia de Vladimir Putin, não mostraram qualquer sinal de “arrependimento” e que “violaram seriamente a ordem pública” e “ofenderam os sentimentos religiosos dos crentes”.

O procurador tinha pedido penas de três anos de prisão, enquanto a defesa reivindicava a sua absolvição, alegando que as Pussy Riot nunca tiveram como objetivo ofender a igreja, mas sim encenar um protesto político contra Putin e contra a promiscuidade entre religião e poder na Rússia.

A prisão e o julgamento de Nadejda Tolokonnikova, 22 anos, Ekaterina Samoutsevitch, 30, e Maria Alekhina, 24, gerou uma onda de contestação a nível mundial, com várias personalidades do setor musical, como Paul McCartney, Yoko Ono, Björk, Sting, os Red Hot Chilli Peppers, Madonna, Ad-Rock, dos Beastie Boys, os Faith No More, entre outras, a expressarem o seu apoio às três intérpretes das Pussy Riots e a reivindicarem a "liberdade de expressão".

Segundo os apoiantes das Pussy Riot, o julgamento tem motivações políticas. "A decisão do tribunal não dependerá da lei mas da vontade do Kremlin", afirmou à Reuters Liudmila Alexeieva, representante do grupo de defesa dos direitos humanos Grupo de Helsínquia.

Esta quinta feira, a Amnistia Internacional entregou na embaixada russa em Londres uma petição a favor do grupo punk.

À frente do tribunal onde decorreu o julgamento juntaram-se vários apoiantes das ativistas e também alguns manifestantes ultra nacionalistas e ortodoxos. "Quero que as Pussy e aqueles que as apoiam ardam no inferno", afirmou um dos manifestantes.

Antes de leitura da sentença, duas apoiantes do grupo foram detidas pela polícia, assim como o líder da Frente de Esquerda, o opositor Serguei Oudaltsov, que tentava transpor as barreiras postas pelas autoridades frente ao tribunal, e o antigo campeão de xadrez, escritor e ativista político, Garry Kasparov.

Em Kiev, uma ativista do grupo feminista Femen derrubou uma cruz de madeira, em sinal de apoio ao grupo e, em Sydney, vários músicos promoveram um concerto punk em plena rua.

Os protestos também se estenderam a cidades como Paris, Berlim, Londres, Dublin, Belgrado, Barcelona, Varsóvia, Nova Iorque, entre outras.

Em Lisboa realizou-se, esta manhã, uma concentração de solidariedade para com as feministas da banda russa Pussy Riot no largo do Camões.

No twitter, Nadejda Tolokonnikova, que durante o seu julgamento usou uma t-shirt com a frase "No pasaran" afirmou, através da sua advogada, que o seu aprisionamento, e de Ekaterina Samoutsevitch e Maria Alekhina, “representa um sinal claro e sem ambiguidade de que a liberdade está a ser retirada a todo o país”.


 

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