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Julgamento das Pussy Riot começa em Moscovo

As três jovens russas que cantaram uma música anti-Putin numa catedral ortodoxa - a letra pede à Virgem Maria que afaste o Presidente do poder - começam a ser julgadas esta segunda-feira, em Moscovo. Entretanto, a solidariedade internacional cresce, entre músicos e ativistas.
Maria Aliokhina, de 24 anos, Nadezhda Tolokonnikova, 22, e Iekaterina Samutsevich, 29, foram presas em Fevereiro passado depois de terem ocupado a Catedral do Cristo Salvador, em Moscovo, e cantado uma "oração punk".

Maria Aliokhina, de 24 anos, Nadezhda Tolokonnikova, 22, e Iekaterina Samutsevich, 29, foram presas em Fevereiro passado depois de terem ocupado a Catedral do Cristo Salvador, em Moscovo, e cantado uma "oração punk". A Igreja Ortodoxa pediu que fossem acusadas de blasfémia e, até agora, a Justiça russa achou legítima a queixa, apesar de ser acusada de ser tudo menos neutra.

A banda, que se chama Pussy Riot, foi acusada de vandalismo e de "atos de ódio religioso" na catedral mas também na Praça Vermelha onde deram um concerto não autorizado que fez parte de uma manifestação anti-Putin.

A Igreja Ortodoxa exigiu que fossem severamente condenadas, pelo que poderão, caso sejam consideradas culpadas, passar até sete anos na prisão. Um movimento que integra opositores a Putin, seguidores do grupo e músicos ocidentais (Sting e os Red Hot Chilli Peppers, por exemplo), pediu a sua libertação e manifestou receios de o julgamento não ser justo.

Os apoiantes do grupo já disseram que este será um julgamento com motivos políticos, devido à letra e à performance subversiva. "A decisão do tribunal não dependerá da lei mas da vontade do Kremlin", disse à Reuters Liudmila Alexeieva, uma moscovita que chefia o grupo de defesa dos direitos humanos Grupo de Helsínquia.

A solidariedade internacional tem vindo acrescer: a Amnistia Internacional declarou-as "prisioneiras de consciência"; o músico Ad-Rock, dos Beastie Boys, atuou como Dj numa festa de apoio; a banda Anti-Flag gravou e lançou uma versão cover de "Punk Prayer", disponibilizada on-line e gratuitamente; os Faith No More, durante o seu concerto em Moscovo, levaram ao palco membros da Pussy Riot e declararam publicamente o seu apoio; Anthony Kiedis, dos Red Hot Chili Peppers, atuou, recentemente, usando uma t-shirt da Pussy Riot e todos os membros da banda enviaram mensagens de apoio para as jovens na prisão; os membros dos Franz Ferdinand também já demonstraram o seu apoio publicamente, em concertos da banda.

As Pussy Riot, que se inspiraram nos grupos punk femininos dos anos 1990 Bikini Kill e Riot Grrl, irromperam na cena musical moscovita no início do Inverno passado com letras agressivas e performances pouco habituais. Consideram-se um movimento avant-garde de uma geração descontente com Putin, que está há 12 anos no poder.

E contestação a Putin não tem faltado, tal como não falta uma retaliação política que abala a frágil democracia russa. Se por um lado, Putin enfrenta uma onda de protesto inédito na Rússia pós-soviética, o primeiro-ministro russo tem vindo a apertar o cerco aos seus opositores, em concreto aos membros da "nova oposição". Exemplo disso é também o caso do bloguer Alexei Navalni, que denunciou inúmeros crimes de corrupção dentro do aparelho político e que começa também esta segunda-feira a ser julgado por incitamento à desordem na véspera da tomada de posse de Putin, a 7 de Maio. Poderá ser condenado a cinco anos de prisão.

No caso da banda punk, além da questão política, há a questão religiosa. A Igreja Ortodoxa fez um tímido ressurgimento após o fim da União Soviética, mas a sua influência foi crescendo e, hoje, o poder político começa a tê-la em atenção - 142 milhões de russos consideram-se ortodoxos, apesar de o número de fiéis praticantes estar longe deste número.

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