Convenção do Bloco

Pureza promete “abertura e firmeza” para uma “esquerda de pontes”

30 de novembro 2025 - 14:30

José Manuel Pureza encerrou a XIV Convenção do Bloco com a defesa de diálogos e convergências, o apelo à greve geral e a vontade de reforçar “a esquerda socialista sem vergonha de dizer que é de esquerda”.

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José Manuel Pureza
José Manuel Pureza no encerramento da Convenção do Bloco. Foto de José Sena Goulão/Lusa

No discurso de encerramento da Convenção que reuniu o Bloco de Esquerda este fim de semana no Pavilhão do Casal Vistoso, José Manuel Pureza começou pelos agradecimentos, em especial a Mariana Mortágua pela sua coragem demonstrada na participação da flotilha para Gaza. “Foi essa mobilização que obrigou muitos governos a reconhecer o Estado da Palestina, incluindo o nosso, que há anos se recusava a fazê-lo”, recordou.

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Num tempo marcado pela “ofensiva sem quartel dos oligarcas milionários”, Pureza deu o exemplo de um banqueiro - João Oliveira e Costa, presidente do BPI - que veio apoiar o pacote laboral alegando que que o problema do país são os trabalhadores que “não puxam carroça”. E respondeu a esse banqueiro que “são os trabalhadores que puxam a carroça da sua vida de milionário” e que é o Bloco “que se irmana com todos e todas essas que não fazem outra coisa senão puxar a carroça da vida”.

No plano interno, defendeu que o Bloco “precisa mesmo de mudar o seu funcionamento interno, para juntar à democracia formal de que nos orgulhamos a participação militante que a concretiza”. E assegurou que a nova direção do partido irá criar as condições para dinamizar núcleos grupos de trabalhos, a par do envolvimento de “pessoas independentes e até de outros partidos” na construção de um novo programa político do Bloco de Esquerda.

Para que a esquerda recupere força em Portugal, prosseguiu, é necessária “uma recusa clara do sectarismo e a junção de forças não só para combater a ofensiva das direitas, mas para lhe contrapor uma contra-ofensiva dos direitos, da igualdade e daquilo que nos faz grandes que é sermos comunidade”.

Da parte do Bloco, prometeu a “abertura e firmeza” que fizeram os melhores momentos da história do Bloco e que Pureza acredita que “voltarão a dar frutos num futuro próximo”.

“Queremos uma esquerda de pontes, que saiba dialogar, que encontre convergências, que nunca esqueça as prioridades, que olhe para o futuro, de que cada trabalhador e trabalhadora se sinta parte integrante”, prosseguiu o novo coordenador bloquista, acrescentando que essa esquerda “não desiste de nada na luta pelo salário, pela casa, pelo hospital, pelo clima e pelos direitos que fazem de nós uma comunidade”.

Orçamento e Pacote laboral são “Portugal no pântano”

A mobilização para a greve geral de 11 de dezembro foi outro dos temas da intervenção. “O governo aprovou o orçamento com o PS e celebra-o com uma lei laboral que aprovará com o Chega. Se isto não é Portugal no pântano, o que será? É preciso outro caminho e esse começa na greve geral de 11 de dezembro”, defendeu José Manuel Pureza.

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“A força desta Greve Geral será a de juntar, sem sectarismos, todos os trabalhadores”, mas também os jovens precários, jovens ativistas pelo clima, as mulheres “que se levantam de madrugada para irem limpar a casa do banqueiro” ou os trabalhadores imigrantes “que são duplamente espezinhados nos seus direitos de dignidade essencial”.

“É para dar força a todas essas lutas que o Bloco de Esquerda tem sentido. E tem hoje mais que nunca”, numa altura em que o falhanço do Estado na Saúde “é um enorme jackpot para os liberais que a querem privatizar” e a expulsão dos habitantes dos centros das cidades e a multiplicação de bairros de lata “é a vergonha da democracia”, apontou.

“Queremos uma esquerda socialista sem vergonha de dizer que é de esquerda”

O principal compromisso deixado pela nova liderança do Bloco é o de “fazermos todos os diálogos necessários para que a esquerda reganhe iniciativa e força em Portugal”. Na resposta à crise na habitação, Pureza comprometeu-se a trabalhar com autarcas, movimentos, investigadores e inquilinos num “programa ambicioso que devolva a toda a gente a certeza de que uma casa digna não é uma utopia, é a realidade”. E no plano da Saúde, defendeu “um programa de refundação do SNS, honrando a herança que nos deixaram António Arnaut e João Semedo”.

Outro compromisso assumido nesta Convenção foi o de promover o “combate contra o individualismo que exclui e nos torna pequenos e mesquinhos e em favor de uma comunidade solidária que nos engrandece”. E isso faz-se disputando os jovens à extrema-direita desmascarando-lhe as mentiras, apoiando os trabalhadores que se organizam, combatendo os promotores da cultura de violência contra as mulheres, defendendo os pensionistas “da gula dos fundos privados” e os serviços públicos enquanto bases de “respeito e decência” da nossa comunidade.

“Queremos uma esquerda socialista sem vergonha de dizer que é de esquerda. Uma esquerda que põe o salário, a casa, a saúde, a igualdade e a liberdade acima de tudo, que quer um país para todos”, concluiu Pureza, evocando uma frase usada por Miguel Portas em momentos difíceis. “Eu quero dizer-vos “isto vai”, com a mesma convicção que o Miguel tinha nesses momentos. E com toda a minha determinação para que as brechas de luz se transformem em  janelas amplas para o Bloco e para o nosso povo. Isto vai, camaradas!” 
 

Resultados das votações da Convenção

Na eleição para a Mesa Nacional, feita por voto secreto em urna, a moção A elegeu 65 representantes (384 votos), a moção S elegeu 8 (47 votos), a moção H elegeu 4 (26 votos) e a moção B elegeu 3 (15 votos). Para a Comissão de Direitos a moção A elegeu 5 representantes (374 votos), a moção S elegeu um (53 votos) e a lista conjunta das moções B e H elegeu um representante (46 votos).

Na votação das moções, feita por braço no ar, a moção A obteve 372 votos, a moção B obteve 13 votos, a moção H obteve 16 votos, a moção S obteve 34 votos e a moção C não obteve qualquer voto.

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