Na última intervenção na função de coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua começou por dizer que essa responsabilidade foi o orgulho da sua vida. Falou também do apoio do partido “a uma só voz” que sentiu à sua participação na flotilha humanitária para Gaza. “Não me arrependo de nenhum desses dias em que não virámos a cara ao inimigo e sei que continuaremos com a mesma determinação. A Palestina será livre”, prosseguiu, lembrando que nessa viagem sentiu o conforto de ver Andreia Galvão tomar a palavra no Parlamento, enquanto Catarina Martins “mostrava o que uma mulher de combate
pode fazer na disputa presidencial”.
“Nunca lhes demos descanso e isso, sempre o soubemos, eles não nos perdoam”, disse Mariana, referindo-se aos “ladrões camuflados sob fato e gravata” que passaram a pagar impostos, mas também aos machistas e aos racistas na sociedade portuguesa. Destacou uma das vitórias do Bloco, o imposto adicional ao IMI - que a direita apelidada “imposto Mortágua” - que rendeu mais de mil milhões ao fundo público de pensões. E também a pressão para que “a EDP pague cada milhão dos impostos que deve ao povo da Terra de Miranda pela venda das seis barragens”.
Extrema-direita é “a pior versão de todas as misérias e violências da sociedade”
Num discurso que tomou também a extrema-direita como alvo, por ter como plano “expandir os limites do aceitável, contaminar o chão por onde passa e arrastar consigo os políticos da oportunidade e os comentadores da situação”, Mariana Mortágua diz que quanto mais o capitalismo “falhar em garantir mínimos da vida, e quanto mais o individualismo esfarelar o sentido de comunidade e as relações entre as pessoas, mais o autoritarismo será convidado a vir manter a ordem, a proteger a oligarquia, a impor à sociedade a regra das desigualdades”.
“A extrema-direita não é o fim do privilégio e da corrupção. É, na verdade, a sétima vida desse sistema, a pior versão de todas as misérias e violências da sociedade”, apontou Mariana, que para vencer a sua cruzada contra os migrantes “tem de calar e até criminalizar todas as expressões de humanismo, igualdade, solidariedade, comunidade”.
E é para construir essa comunidade que o Bloco terá de crescer, aprender e mudar, concluiu Mariana Mortágua, sublinhando a importância de o partido continuar “na barricada da classe trabalhadora, pela cultura aberta, pela solidariedade, pelo direito à diferença, pela igualdade entre mulheres e homens, pelo direito à segurança social, a cuidar e ser cuidado”.