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PSOE e Unidas Podemos anunciam pré-acordo para um governo “rotundamente progressista”

Pedro Sánchez e Pablo Iglesias anunciaram um pré-acordo para desbloquear o impasse político espanhol. PSOE deixou cair o veto à presença do líder do Podemos, que deve ser o vice-presidente do próximo executivo.
Pedro Sánchez e Pablo Iglesias.
Pedro Sánchez e Pablo Iglesias na assinatura do pré-acordo de governo. Foto publicada no Twitter do líder do Podemos.

“O compromisso de ambas as organizações era formular uma proposta para desbloquear a governabilidade em Espanha. Agora vamos assinar o documento”. Foi assim que o líder do PSOE anunciou, menos de 48 horas após as eleições, o que tentou evitar durante os meses que passaram desde as eleições de abril. Pedro Sánchez diz que se trata de “um governo rotundamente progressista para quatro anos”.

A nova composição do parlamento não deixou outra hipótese aos socialistas senão um acordo à sua esquerda para conseguir maioria para governar. Ainda assim, a soma dos deputados das duas formações não é suficiente para o conseguir, faltando garantir o apoio de mais 21 deputados, a maior parte entre membros das bancadas soberanistas e independentistas.“O que em abril se tornou uma oportunidade histórica é agora uma necessidade histórica”; afirmou Iglesias após assinar o texto do pré-acordo, prometendo trabalhar com “lealdade” e “lado a lado” com o líder do PSOE naquele que será o primeiro governo de coligação à esquerda desde a II República espanhola .

O texto do pré-acordo contém dez pontos que correspondem em grande medida aos temas já presentes no acordo entre os dois partidos para o Orçamento de 2018 e que também estiveram em debate nas negociações fracassadas para um governo conjunto nos últimos meses.

Entre esses pontos estão o combate à precariedade, a luta contra a corrupção, a defesa dos serviços públicos, o direito à habitação, o controlo do aumento das casas de apostas, a luta contra as alterações climáticas, o apoio às pequenas e médias empresas, o direito à eutanásia, medidas para implementar justiça fiscal, políticas feministas e o combate ao despovoamento.

Um dos pontos trata expressamente de “garantir a convivência na Catalunha”, com o futuro governo PSOE/Unidas Podemos a comprometer-se a dar prioridade à normalização da vida política catalã, fomentando o diálogo e encontrando formas de entendimento “sempre dentro da Constituição”. O fortalecimento das autonomias é outro dos compromissos deste ponto.

Quanto a medidas que concretizem esta declaração de intenções e qual será a orgânica e composição deste governo inédito, isso só será divulgado nos próximos dias após reuniões entre as equipas negociais dos dois partidos.

A noticia do pré-acordo foi recebida com satisfação por parte dos dirigentes partidários à esquerda. O líder da Izquierda Unida, Alberto Garzón, que integra a Unidas Podemos e esteve presente na assinatura desta tarde, foi dos primeiros a congratular-se pelo entendimento.

Também a alcaldesa de Barcelona, Ada Colau, expressou alívio pela solução encontrada. “Face ao avanço dos discursos de ódio e a extrema-direita, era uma obrigação chegar a um acordo de governo progressista. Para fazer políticas sociais urgentes e começar uma nova etapa de diálogo”, afirmou.

 

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