Fake news

Propagandistas de Israel lançam novos boatos sobre o Bloco

05 de abril 2025 - 16:33

Há dois meses, foi prontamente desmentido o boato de que existem empresas a funcionar na sede do Bloco. Há agora uma nova mentira: o prédio adquirido em 2005 teria pertencido à família Mortágua, com obras pagas pela Câmara.

PARTILHAR
Sede Nacional do Bloco de Esquerda.
Sede Nacional do Bloco de Esquerda.

A autora do boato de fevereiro sobre supostas empresas de serviços de imigração paquistanesa com sede no edifício do Bloco de Esquerda na Rua da Palma, amplificado pelo empresário de comunicação Marco Galinha nas redes sociais, voltou a lançar um novo boato contra o Bloco. Desta vez, a conhecida propagandista do governo israelita Sofia Afonso Ferreira, antiga militante do PSD, Democracia 21 e candidata a eleições também em listas do PPM, Nós Cidadãos e da coligação Basta com André Ventura, teve de recuar 20 anos para promover um novo boato nas redes sociais.

No seu post publicado esta semana, afirma que o palacete da Rua da Palma ocupado após a Revolução - e que serviu de sede da Liga Comunista Internacionalista e do Partido Socialista Revolucionário, sendo adquirido pelo Bloco de Esquerda - teve “obras pagas pelos contribuintes” e teria sido também adquirido por um preço “bastante abaixo do valor de mercado” aos proprietários do edifício. Entre eles, imagine-se, estariam uns supostos tios-avós de Mariana e Joana Mortágua. A óbvia insinuação era que a compra do imóvel teria sido um negócio de favor e ainda por cima com obras pagas pela Câmara Municipal de Lisboa.

Depois de ver o boato das empresas paquistanesas desfeito em poucas horas, com a imprensa a mostrar que no beco da Rua da Palma com o número 268 funcionam desde sempre muitas empresas de vários ramos de atividade e que nada têm a ver com o edifício sede do Bloco de Esquerda, até ao momento Marco Galinha não se arriscou a difundir, como anteriormente, a nova história mirabolante sobre o mesmo edifício da Rua da Palma. Nesse lugar surge agora Helena Ferro de Gouveia, figura ligada à propaganda de Netanyahu junto do público português e que marca presença assídua nos canais de televisão em defesa do genocídio da Palestina. Mas, à cautela, para se tentar proteger de eventuais processos judiciais por estar a espalhar o falso boato, a comentadora usa por três vezes a palavra “alegadamente” junto a cada um dos factos falsos que afirma.

Bloco atualiza queixa anterior por difamação

A direção do Bloco de Esquerda fez saber que juntará estes elementos à queixa judicial por difamação entregue contra Sofia Afonso Ferreira, juntando-se-lhe agora Helena Ferro de Gouveia. O partido afirma que “ao contrário do referido, o Bloco de Esquerda não adquiriu o prédio à família da mãe de Mariana e Joana Mortágua”, como mostra o contrato-promessa de compra e venda que não inclui os nomes apontados pela propagandista de Israel entre os nove outorgantes e respetivos cônjuges do lado da família que vendeu o edifício.

Por outro lado, ao contrário do que é afirmado, o Bloco contrapõe que “o prédio não foi adquirido abaixo do preço de valor de mercado” e que os seus proprietários preferiram negociar a venda do imóvel em vez de fazerem as obras coercivas que a lei obrigava. E recorda que toda esta informação, incluindo o valor pago pelo edifício e pelas obras a cargo do Bloco, é de acesso público, constando da notícia do PúblicoBloco de Esquerda comprou prédio da Rua da Palma para a sua sede nacional’, assinada pelo jornalista José António Cerejo em dezembro de 2007, “que a própria Sofia Afonso Ferreira coloca como fonte do seu texto na rede social "X", mas cujo conteúdo decidiu manipular e ignorar”.