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Prolongamento da licença de Almaraz é de "extrema gravidade", diz Pro-Tejo

Para além do aumento da vida útil de uma central nuclear “velha e obsoleta”, o movimento ambientalista manifesta junto do ministro do Ambiente a sua preocupação com o estado do Tejo, onde voltou a encontrar vários focos de poluição.
Manifestantes contra o funcionamento da central nuclear de Almaraz em 2017.
Manifestantes contra o funcionamento da central nuclear de Almaraz em 2017. Foto de Fotos de Camisetas de SANTI OCHOA/Flickr.

Em carta aberta tornada pública esta quinta-feira, o movimento ambientalista proTejo dirige-se ao ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, para destacar duas preocupações centrais: o prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 2028 e a uma nova vaga de poluição no Tejo e seus afluentes.

Denunciam os ambientalistas que “desde dia 6 de maio passado até ao presente momento que as águas negras poluídas voltaram ao rio Tejo a partir da zona de Vila Velha de Rodão, estendendo-se para jusante de Abrantes”. A proTejo quer saber qual a origem deste foco de poluição e “se as novas licenças de rejeição de efluentes da Celtejo estão a ser cumpridas”.

Também nos afluentes do Tejo foram encontradas situações preocupantes: “em especial, o rio Nabão, o rio Maior e a ribeira da Boa Água continuam a apresentar fortes descargas de poluição sem que sejam tomadas e/ou comunicadas medidas” para resolver a questão.

Outro perigo encontrado foi um manto de plantas exóticas e invasoras, a Azolla, que ocupou parte do Tejo e dos afluentes Ponsul, Sever e Aravil, junto à albufeira de Cedillo. De acordo com os defensores do rio, “estas plantas desenvolvem-se devido à convergência de diversos fatores, como sejam, abundantes nutrientes como o fósforo e os nitratos, com origem em fertilizantes agrícolas e na falta de tratamento das águas residuais urbanas por aglomerados urbanos em Espanha, elevadas temperaturas e reduzidos caudais no rio Tejo”.

Do ministro exigem assim a aplicação de “medidas necessárias para evitar a deterioração do estado da massa de água transfronteiriças nomeadamente aquelas que já constam do “Programa de Medidas do Plano Hidrológico del Tajo -2016/2021”, nomeadamente, a melhoria das práticas agrícolas e dos atuais sistemas de tratamento de águas residuais urbanas (“Saneamento e Depuração da Zona Fronteiriça com Portugal. Cedillo e Alcântara”) na parte espanhola da bacia hidrográfica do Tejo”.

Almaraz: “envelhecida e obsoleta”

A proTejo pronuncia-se ainda sobre as notícias de que o Conselho de Segurança Nuclear espanhol emitiu um parecer favorável ao prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz, o que faria com que esta pudesse laborar até outubro de 2028.

O movimento de cidadãos insiste na proximidade com a fronteira portuguesa e com a existência de “incidentes com regularidade, existindo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superiores ao permitido” para concluir que “Portugal pode vir a ser afetado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente”.

A proTejo faz saber que “considera errado e de extrema gravidade este parecer favorável do CSN” uma vez que a central está “envelhecida e obsoleta” e assim “continuará a colocar em risco a bacia do Tejo e toda a Península Ibérica”. Instam por isso Matos Fernandes a diligenciar junto do Governo espanhol de modo a que sejam aplicadas as medidas necessárias para evitar a deterioração do estado da massa de água transfronteiriças, nomeadamente, aquelas que já constam do “Programa de Medidas do Plano Hidrológico del Tajo -2016/2021” e tome posição contra o eventual prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz junto do Governo Espanhol, “visto que o mesmo terá implicações diretas em território nacional”.

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