A AICEP Global Parques tem o projeto de desflorestação da Área 1A3.4 da Zona Industrial e Logística de Sines em consulta pública até ao dia 30 de junho. Em causa neste processo está especificamente uma área de 30,7 hectares que vai servir a instalação de painéis fotovoltaicos da Repsol Polímeros e os acessos aos projetos da Calb e da Madoqua.
Mas este faz parte de um conjunto de quatro grandes projetos industriais em andamento na zona que implicam uma desflorestação de 74,8 hectares, divididos entre a Madoqua. que tem um projeto de hidrogénio e outro de amónia, a chinesa Calb que tem um projeto de fábrica de baterias de lítio e o já referido parque de painéis da Repsol. Todos estão classificados com PIN, potencial interesse nacional, e implicam investimentos de mais de quatro mil milhões de euros.
De acordo com o Estudo de Impacte Ambiental agora em discussão, serão abatidos 2. 475 sobreiros, 254 adultos e os restantes jovens, num total de 12.415 árvores. A maior parte, mais de nove mil exemplares, são pinheiros bravos e mais de mil são pinheiros mansos, para além de dois mil eucaliptos. A isto se somarão as desflorestações previstas nos outros estudos de impacto ambiental.
Apresenta-se como “medida de compensação” pelo abate desta espécie protegida a plantação de cerca de 11 hectares com novos exemplares.
O mesmo estudo diz que impactes ambientais restantes serão de “significância reduzida” ou inexistentes, alegando-se ainda que a desflorestação será feita de forma “faseada em função das necessidades” e que haverá outras medidas de mitigação como recolha de sementes de espécies sensíveis e trabalhos de corte de vegetação para permitir o refúgio da fauna.
Estes grandes projetos vão ainda obrigar a aumentar fortemente o fornecimento de eletricidade e água à zona em causa.
As populações têm a vindo a contestar o abate de sobreiros em vários projetos na região noutros casos. Por exemplo, em 2023, uma petição contra o abate desta espécie no parque eólico de Morgavel da EDP, que implicava o corte de 1.821 sobreiros, somou mais de 14 mil assinaturas e foi acompanhada de manifestações. A contestação continuou e ainda em julho do ano passado a manifestação "tirem as mãos do litoral alentejano" continuava com uma das organizadoras, Teresa Manuel, a afirmar que era preciso "vigiar os sobreiros que ainda estão de pé, porque ainda há sobreiros que estão de pé”.